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#ExpressoBrasil As Alagoas de Lêdo Ivo

Audiovisual | Expresso Brasil | Leonardo Cássio | Literatura 23/04/15 - 09h Leonardo Cassio

O belo estado das Alagoas ganhou, à sua revelia, o apelido de “Terra dos Marajás” graças ao legado da família Collor. Só que as Alagoas deste segundo episódio da série especial da TAL nada tem a ver com a imagem do estado deixado pela politicagem local. O poeta e escritor Lêdo Ivo mostra, de forma literária, as riquezas e belezas de sua terra natal.

O estado das Alagoas foi fundado por Dom Pedro II a partir da Revolução Praieira de Pernambuco, tendo como primeira capital a cidade de Marechal Deodoro, que até hoje mantém a arquitetura da época colonial praticamente intacta com as casas de baixa estatura, de duas a três janelas e com interiores espaçosos.

Já a atual capital, Maceió, uma cidade marítima e portuária, tem apenas no bairro de Jaraguá os resquícios da arquitetura colonial, que foi desfigurada ou destruída em outras regiões. Lêdo Ivo, poeta falecido em 23 de dezembro de 2012, pertencia às Academias Brasileira e Alagoana de Letras, e orgulhava-se em afirmar que sua prosa e poesia guardavam “a cidade desaparecida”.

Descendente dos índios Caetés, na série de documentários “Expresso Brasil” (veja, na íntegra, abaixo), Lêdo Ivo se autoafirma como legítimo antropófago, uma vez que esta tribo indígena é reconhecida pelo canibalismo. Sua literatura é muito marcada pelo regionalismo e suas obsessões ou inspirações para escrever refletem sua própria história familiar, sua ancestralidade e a paixão por regiões de Maceió, como o Farol da cidade.

A cultura alagoana é marcada fortemente por elementos folclóricos expressados através da música, dança, indumentária, celebrações, artesanato e na arte popular de matriz africana e indígena. O povo alagoano também se destaca singularmente através dos Raizeiros, que são pessoas que manipulam folhas e raízes medicinalmente e são tidos como patrimônios do estado. Há também a parte gastronômica, vinculada ao sururu, um molusco abundante dos mangues alagoanos e que, segundo Ivo, só existe igual em Paris (só que o de Alagoas é o melhor do mundo!). O sururu é tão enraizado na culinária local quem um dos irmãos do escritor afirma que “quem não come sururu não é alagoano”.

Esse estado de “terras moles” e “ambiguidades geográficas”, de natureza exuberante, tem, em contraponto, um alto índice de miséria, que pode ser vivenciada na surreal Feira dos Passarinhos, que ocorre sobre uma linha férrea em uso e que foi retratada [a miséria] na conceituada obra modernista Vidas Secas (puro sofrimento!), do também alagoano Graciliano Ramos, responsável pelo “batismo literário” de Lêdo Ivo. Outro grande escritor que apresentou ao Brasil as nuances e beleza alagoanas foi Jorge de Lima.

Assista ao vídeo sobre As Alagoas e descubra como Lêdo Ivo, a partir de um fato inusitado de sua infância, tornou-se escritor para imortalizar seu lindo estado materno:

Abaixo, a composição “Alagoas”, de Djavan, que finaliza o documentário:

Confira aqui também a primeira matéria da Série sobre o ACRE

Crédito da foto do banner: Bruno Stuckert, do Fotos Públicas

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Leonardo Cassio

Leonardo Cassio

Sócio-diretor da Carbono 60 - Economia Criativa, Leonardo Cassio é publicitário, jornalista e amante da sétima arte. Lê de mangá a física quântica e tem uma tatuagem do Pearl Jam.

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