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Tô de Chico: Mais Poder aos Lovers!

Audiovisual | Cultura Digital | Música | Thais Polimeni | TVCULT 23/12/15 - 05h Thais Polimeni

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Ontem, vi uma notícia sendo compartilhada por três contatos meus do Facebook. Sempre que algum link é compartilhado mais de uma vez, eu dou uma atenção especial (é claro que depende de quem compartilha). A chamada era: “Em vídeo, exclusivo: Chico Buarque bate boca defendendo o PT no meio da rua, no Leblon“. Achei o título meio sensacionalista (não fazendo referência ao site, mas à palavra, literalmente), mas como tinha vídeo, resolvi clicar. Tudo bem que era o site do Glamurama e eu já tenho um pé atrás com os vídeos deles desde a última entrevista feita com a Jout Jout. A Jout Jout respondeu com classe (só faltou colocarem o ~ oclinhos ~ nela no final. #FikDik, JP!), mas o vídeo acabou viralizando via haters, com a mensagem de que “ela poderia ter se posicionado, mas preferiu não dizer nada”.

Li a matéria sobre o Chico Buarque e achei que ela queria puxar sardinha para os dois lados: uma das frases dizia “Chico xingou e foi xingado” – Desculpe, ele falou o que achava de um partido, o que é muito diferente de ser chamado de “Merda“, como ele ouviu dos meninos, que também ameaçaram Chico e seus amigos com um: “Vai correr daqui, já?“.

Paralelamente, também foi lançado, ontem, o videoclipe “O Trono do Estudar“, em que dezoito artistas se uniram para apoiar os estudantes das escolas ocupadas de São Paulo (saiba mais aqui). Entre os artistas, está Chico Buarque. Os dois vídeos parecem ter sido postados na mesma hora (acabei de conferir no Youtube e aparece “22 horas atrás” nos dois), porém, o “Bate-Boca” está com quase 215.000 visualizações e o videoclipe “O Trono do Estudar“, com 40.000.

Conversei com uma amiga sobre isso e chegamos à conclusão de que, infelizmente, a internet tem dado mais poder aos haters do que aos lovers. Mas a boa notícia é que só depende da gente, se quisermos mudar esse cenário. Quando postei o vídeo do bate-boca na minha Timeline, manifestei meu incômodo sobre a forma com a qual os meninos foram falar com o Chico Buarque. Eles poderiam ter dialogado numa boa, se realmente quisessem o bem comum. Poderiam ter perguntando: “Chico, a gente queria entender por que você é a favor do PT. Temos visto tanta corrupção no governo e não conseguimos compactuar com tudo isso. Você pode explicar pra gente seu posicionamento? Somos seus fãs e não queremos ter uma imagem ruim de você“. Ok, você deve estar rindo dessa utópica sugestão de diálogo, mas seria tão maravilhoso se isso acontecesse! Aliás, quando eu encontrar o Chico, eu pergunto isso pra ele, gente. E espero que ele seja tão educado com uma paulistana do Centro quanto ele foi com os meninos do Leblon! :)

Porém, mais do que entender o posicionamento do Chico, eu queria entender como algumas pessoas acham que vão ser compreendidas se elas só se utilizam de discurso de ódio. Esses dias, estava passando pela Paulista e um homem distribuía um panfleto que convidava as pessoas para uma manifestação a favor do impeachment. Não peguei o panfleto e ele soltou um: “O desemprego está aumentando! A próxima pode ser você!“. Oi?! Você quer convencer quem propagando a cultura do medo? Vâmo tá contratando uma consultoria de comunicação, vâmo?

Sou defensora da ideia de que ninguém tem o direito de querer mandar no posicionamento político de ninguém (querer entender é diferente de querer mandar). E o Chico Buarque me fez acreditar ainda mais nessa ideia. Ele se mostrou perfeitamente coerente e digno de ter muito mais fãs com esses dois vídeos postados nessa polêmica terça-feira. E é por isso que eu Tô de Chico!

Tô de Chico quando sou a favor do diálogo. Tô de Chico quando exerço a empatia. Tô de Chico quando mantenho a calma e o bom humor, mesmo com a intolerância alheia. Tô de Chico quando, em vez de reclamar, eu faço algo pra apoiar causas nas quais acredito. Tô de Chico quando exponho minha opinião propagando a cultura da compreensão, não a do medo. Tô de Chico quando empodero os lovers, não os haters.

E pra descontrair, fique com o bom humor do Chico:


Veja abaixo os vídeos citados no post:

Vídeo “O Trono do Estudar” (tá em primeirão porque é da galera dos lovers. Assistam! Tá lindo!)

Vídeo Bate-Boca (porque todo mundo tem o direito de assistir e formular a própria opinião, né, gente)

Vídeo Jout Jout no Glamurama

 

Foto do banner: Fernando Lemos

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Thais Polimeni

Thais Polimeni

Thais Polimeni é editora e uma das fundadoras do blog Cult Cultura e, ao lado de Leonardo Cassio e Daniel Ávila, é sócia-diretora da Carbono 60 - Economia Criativa. Publicitária, jornalista, paulistana, tiete e geminiana, Thais é viciada em teatro, cappuccino e wi-fi. Dizem que é descendente direta de Buda, mas na TPM, nem ela se aguenta. É colunista do Jornalirismo e tem seu alter-ego publicado aqui: facebook.com/thaisPOULAINmeni

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