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E Se Você Tivesse Todo O Dinheiro Do Mundo?

Audiovisual 21/02/18 - 10h Cult Cultura

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J. Paul Getty (Christopher Plummer) era o homem mais rico do mundo em 1973, quando o seu neto, John Paul Getty III (Charlie Plummer), foi sequestrado na Itália. Os responsáveis pelo sequestro, obviamente sabendo de quem aquele jovem era neto, pediram uma quantia de 17 milhões de dólares, quantia essa que foi negada prontamente pelo avô rico do rapaz, alegando ter 14 netos e isso poderia criar um precedente perigoso. Então a mãe do rapaz, Gail Getty (Michelle Williams), apenas contava com a polícia italiana e um homem enviado pelo seu ex-sogro, Fletcher Chase (Mark Wahlberg), para solucionar o caso e trazer o filho com vida para casa.

O lançamento desse filme foi ofuscado por questões por trás das câmeras e eu não sei até onde isso pode ter prejudicado a produção de Ridley Scott. Eu, que me considero uma pessoa por dentro do que está acontecendo no cinema (pelo menos no mainstream), confesso que fui assistir ao filme sem ter certeza direito do que se tratava. Kevin Spacey já havia filmado todas as cenas, ele viveria J. Paul Getty, porém, com os casos de abuso ligados ao seu nome, Scott decidiu limar todas as cenas que o ator participava e colocar Plummer para dar vida ao bilionário americano. Plummer, que dispensa apresentações, é um ator incrível e, como era esperado, nos dá mais uma performance de encher os olhos, mas confesso que algo me incomodou. Por mais que a edição tenha sido boa, em algumas partes do filme você pode acabar se distraindo porque é difícil passar o filme inteiro sem notar que Plummer estava sobreposto sobre a figura de Spacey, possivelmente atuando em uma tela verde para ser colocado nas cenas posteriormente, mas isso não prejudica a experiência, apenas pode tirar o foco do que realmente interessa, que é a história.

todo-o-dinheiro-do-mundoOutra polêmica envolvendo esse filme foi a questão salarial dos dois protagonistas, Williams e Wahlberg. Como o filme teve essa questão de troca de atores para o personagem de Getty, muitas cenas tiveram que serem refilmadas, levando aos atores principais também terem que refazer alguns dos principais momentos filmados. Enquanto Wahlberg renegociou o seu salário para chegar a 1.5 mihões de dólares, Michelle Williams arrecadou cerca de 1000 dólares para essas refilmagens, algo em torno de 1% do que seu co-protagonista receberia. No final, Wahlberg acabou doando o cachê para o Time’s Up, movimento contra o assédio sexual que conta com 300 mulheres entre atrizes, escritoras, agentes e produtoras de Hollywood.

Mas basta de casos de bastidores, vamos ao filme. A história se desenvolve, durante suas mais de 2 horas de duração, de forma lenta, porém, prazerosa de se assistir na tela. As atuações (especialmente de Williams) são sólidas e conseguem passar o que é preciso para se envolver com o roteiro. É um filme que mostra o quão ganancioso e egoísta alguém pode se tornar quando se tem muito dinheiro. Também vale destacar a direção de Ridley Scott, que, mesmo não sendo algo digno do auge de sua carreira, consegue trazer de volta pelo menos um interesse pelo seu trabalho, já que nos últimos anos ele mais tem errado do que acertado. Vocês se lembram de “Exôdo”? Pois bem… Depois ainda tivemos “Alien: Covenant”, então Scott realmente precisava de algo mais bem elaborado para criar novamente um barulho acerca de seu nome. Não foi indicado ao Oscar de melhor diretor (em breve faremos uma análise dos indicados aqui na Cult Cultura) mas com certeza seria um dos indicados se houvesse 6 e não 5 nomes na categoria.

Em resumo, “Todo o Dinheiro do Mundo” é uma trama sobre ganancia, poder e a diferença entre a forma que pessoas lidam com situações delicadas de vida ou morte, riqueza ou pobreza e, graças ao elenco muito competente e à direção, é uma das nossas primeiras indicações cinematográficas para o ano. Começamos bem!

Euclides

Por Clids Ursulino. 30 anos. Música, cinema, futebol e política. E o que mais aparecer entre um café e outro.

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