Fechar Menu [x]

#ApostaCult Mulheres Negras E Indígenas Na Tecnologia: Você É Uma Delas?

APOSTACULT | Cultura Digital | Leonardo Cássio | Multicultural 02/06/17 - 10h Leonardo Cassio

110-pretalab-mulheres-negras-indigenas

O Brasil é machista. Na verdade, o mundo é machista (veja aqui documentário sobre o tema). As mulheres enfrentam percalços diários que vão desde assédio moral e desigualdade no mercado de trabalho à violência física doméstica ou nas ruas. Ser mulher já é complicado; ser mulher negra ou indígena chega a ser insuportável, na maior parte das estruturas sociais existentes.

Os números estão aí para comprovar. A pesquisa “Mulheres e Trabalho: Breve Análise do Período 2004 – 2014” apresenta um série de dados que mostram a cruel desvantagem que mulheres negras têm em todas as situações analisadas. As indígenas nem entram nesse estudo, devido à marginalização histórica, mantida graças a pessoas que falam coisas como essa: “para que serve índio?”. Frase de um conhecido homem branco, possivelmente misógino.

Há outros fatos estarrecedores, como apenas 10 mulheres negras terem se formado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, em 120 anos de existência. A Escola de Engenharia da USP (Escola Politécnica – Poli), tem um problema notório de ter um número massacrante de homens frente ao de mulheres – homens brancos, é importante frisar. Isso gerou, esse ano, um vídeo bem inteligente por parte das alunas de lá, inspiradas no vídeo da Clarice Falcão, que apresentamos no post “Como a música pode empoderar as mulheres” (clique aqui para ler). O vídeo foi feito durante o tradicional trote da Poli e pode ser visto abaixo:

Observando esse quadro sistêmico, a Olabi, empresa de empreendimento social na área de tecnologia, criou o PretaLab. Trata-se de uma plataforma idealizada por mulheres negras e indígenas para mapear dados sobre os dois grupos nas áreas de inovação e tecnologia, que são os campos de atuação da Olabi.

Tecnologia é uma das áreas em que a atuação de mulheres mais sofre com disparidade de salários e dificuldade de ascensão em cargos de liderança. Se for negra, pior. Apesar do Brasil ser um dos países com maior percentual mulheres autoras de artigos científicos, há muito para se melhorar.

O PretaLab não coleta dados apenas de negras e indígena nas áreas de engenharia e computação. A tecnologia se estende na plataforma para produtores de conteúdo digital, webdesigners, youtubers – como a Nátaly Neri (leia post aqui), pesquisadoras, estatísticas, etc. A compilação de dados é vital para que seja possível diminuir as desigualdades. Portanto, se você, leitora, for negra ou indígena, acesse a plataforma e preencha o formulário. Caso não seja o público-alvo, leia para se inteirar mais sobre o tema: http://pretalab.com/

Tags: , , , , ,