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Quem disse que Campus Party não é Cultura?

Cultura Digital | Thais Polimeni 01/02/16 - 01h Thais Polimeni

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O Ministério da Cultura. Minc, para os mais chegados.

Semana passada, aconteceu a Campus Party, conhecida como a maior experiência tecnológica do mundo. É um evento internacional realizado desde 1997 em diversos países (a primeira edição foi na Espanha) que reúne as maiores novidades em entretenimento digital, criatividade, empreendedorismo, inovação e ciência.

Este ano, a Campus Party Brasil não contou com um importante apoiador: o Ministério da Cultura. Vou fazer um break no post para explicar rapidamente sobre como funciona a Lei Nº 8.313. Lei Rouanet, para os mais chegados:


1) O organizador do evento escreve um projeto cultural para o Ministério da Cultura explicando detalhadamente sobre o evento, desde o objetivo até planilhas de custos e despesas, passando por estratégia de mídia, cartas de anuência dos colaboradores, currículo da equipe, etc.;

2) O MinC analisa o projeto e o aprova/ reprova;

3) Em caso de aprovação, o organizador do evento está liberado para buscar investimento das empresas, ou seja, o MinC não dá o dinheiro diretamente para o projeto. Ele apenas diz: “Seu projeto cultural é interessante. Se alguma empresa investir nele, estará investindo em cultura!“;

4) Se uma empresa decidir apoiar o projeto, ela pode deduzir o valor do Imposto de Renda devido (aqui tem algumas especificações de porcentagens, mas não vem ao caso para este post). Ou seja, o valor que ela pagaria de imposto, ela pode investir diretamente em um projeto que vai beneficiar seu público-alvo ou comunidade.


Voltando ao assunto do post, o Ministério da Cultura virou para a Campus Party Brasil e disse: “Seu projeto não é um projeto cultural. Se as empresas investirem nele, elas estarão investindo em tecnologia, não em cultura. Beijo, tchau

campus-party-brasil-9Como o mundo não pode parar, o evento aconteceu mesmo sem o projeto aprovado na Rouanet (ufa!). Fui no primeiro dia e a estrutura estava incrivelmente bem preparada para receber os 8 mil visitantes que passariam por lá durante os 6 dias do evento. Foram mais de 600 palestrantes que totalizaram 700 horas de conteúdos, sem contar as áreas de exposição para startups, maratonas de negócios e mentorias.

Nós, da Cult Cultura, somos apaixonados por Cultura Digital e não é à toa. Só pra começar, uma lógica simples: se não houvesse tecnologia, não existiríamos. Se não houvesse a blogosfera, criada pela cultura digital, não divulgaríamos eventos de arte e entretenimento. Foi estudando cultura que descobrimos a Economia Criativa, que agrega muitos projetos que unem a cultura, a tecnologia e a criatividade para gerar de renda (inclusive havia uma Secretaria de Economia Criativa vinculada ao MinC até o ano passado).

Atualmente a cultura está tão conectada à tecnologia que 40% dos palestrantes principais dessa edição da Campus Party estavam diretamente ligados à cultura:

CINEMA
Grant Imahara
Antes de ingressar no programa MythBusters, da Discovery Channel, participou da produção de efeitos especiais no cinema, na empresa Industrial Light and Magic (ILM). Participou de sucessos do cinema como “O Mundo Perdido: Jurassic Park”, “O exterminador do Futuro 3: a Rebelião das Máquinas”, “A.I.:Inteligência Artifical”, “Van Helsing” e “Matrix Reloaded” e “Matrix Revolutions”.

GAME
Daniel Matros
Produtor do game Battlefield, diretor criativo digital, filantrópico e também fundador de uma campanha em que dirigiu apresentações de e-sports ao vivo no mundo inteiro.

DANÇA
Michel Smit
É um entusiasta e empreendedor do mercado cultural. Responsável pelo desenvolvimento e a utilização de uma pista de dança sustentável que gera eletricidade a partir do movimento do público. Ele tem como objetivo estimular a criatividade e inspirar os jovens a realizar seus sonhos.

Moon Ribas
É uma coreógrafa contemporânea catalã e co-fundadora da Cyborg Foundation. Ela se formou em coreografia na Faculdade de Artes de Dartington, na Inglaterra, e estudou na Escola de Teatro de Amsterdã (Escola para Desenvolvimento de Novas Danças).

MÚSICA
Neil Harbisson
É um artista, compositor e ativista cyborg catalão mais conhecido por sua capacidade de ouvir e perceber cores fora da capacidade de visão humana. Em 2003, ele participou do desenvolvimento do Eyeborg, um olho cibernético permanentemente ligado a sua cabeça que lhe permite ouvir as frequências de cores através de condução óssea (incluindo infravermelhos e ultravioletas). Em 2010, ele co-fundou a Fundação Cyborg com Moon Ribas, uma organização internacional que tem como objetivo ajudar as pessoas a se tornar cyborgs, defender seus direitos e promover o “cyborgismo”, como um movimento artístico e social.

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Concordo que não é simples separar Cultura, Tecnologia e Educação, pois muitas vezes elas estão tão entrelaçadas que quase viram um emaranhado. Mas acho importante dar uma atenção especial para projetos se propõem a trabalhar esses três temas essenciais para o desenvolvimento da sociedade.

Fica aqui meus Parabéns a todas as empresas que patrocinaram a Campus Party 2016 sem Lei de Incentivo. Vai ver essa é uma estratégia do MinC para estimular as empresas a investir mais de sua verba de marketing e depender menos de leis de incentivo… Assunto que dá muito pano pra manga!

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Equipe Campus Party 2016, ao final do evento
Todas as fotos: Flickr Campus Party Brasil

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Thais Polimeni

Thais Polimeni

Thais Polimeni é editora e uma das fundadoras do blog Cult Cultura e, ao lado de Leonardo Cassio e Daniel Ávila, é sócia-diretora da Carbono 60 - Economia Criativa. Publicitária, jornalista, paulistana, tiete e geminiana, Thais é viciada em teatro, cappuccino e wi-fi. Dizem que é descendente direta de Buda, mas na TPM, nem ela se aguenta. É colunista do Jornalirismo e tem seu alter-ego publicado aqui: facebook.com/thaisPOULAINmeni

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