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As Veias Abertas da América Latina

Literatura 11/03/14 - 09h Leonardo Cassio

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Infelizmente um livro atual. Assim inicia-se o prefácio da edição de 2010 do livro “As Veias Abertas da América Latina” (L&PM), de Eduardo Galeano, escrito originalmente entre os anos de 1969 e 1970.

Neste trabalho, o escritor e jornalista uruguaio demonstra historicamente todo o processo de submissão da América Latina perante a Europa (período colonial), até os dias atuais, quando o colonizador passou do Velho Continente para a América do Norte.

Lírico e ao mesmo tempo ácido, Galeano apresenta fatos que demonstram toda a espoliação que a América Latina sofreu por séculos e, infelizmente, atualmente ainda sofre. Sua tese é simples: desde a “descoberta” da América, todo o continente foi montado para servir a Europa com matérias-primas (commodities) e mão-de-obra escrava, enriquecendo a metrópole, tendo como asseclas os latifundiários que nunca se preocuparam com o desenvolvimento local, servindo apenas a interesses externos.

A custa de muito sangue derramado, Portugal, Espanha, Holanda e logo após a Inglaterra deitaram e rolaram na América Latina. Levaram daqui ouro, prata, metais diversos, madeira, cana-de-açúcar, café e tantas outras riquezas, transformando os países saqueadores em potências mundiais (cada uma em seu tempo) e mantendo aqui o lastro de subserviência e subdesenvolvimento.

Atualmente, trocou-se a metrópole e trocaram-se os bens, mas a situação é a mesma: atendemos sempre aos outros e internamente ficamos com as sobras e a obediência.

O livro é belíssimo. O Brasil, pelo seu gigantismo de sempre, é um dos países mais comentados na obra, revelando facetas históricas que dão vergonha até em quem não está nem aí para o país.Vale ressaltar que o livro foi lançado na época da ditadura aqui e em países como Chile e Uruguai.

Livro de esquerda? Tanto faz. São fatos históricos. Longe de ser apenas um livro leviano de opiniões, “As Veias Abertas da América Latina” mostra conceitos e fatos que apontam algo óbvio: a América Latina teve de tudo, foi o combustível do capitalismo e, de tanto dar, acabou queimado e virou fumaça perante aqueles que dirigem o mundo.

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Leonardo Cassio

Leonardo Cassio

Sócio-diretor da Carbono 60 - Economia Criativa, Leonardo Cassio é publicitário, jornalista e amante da sétima arte. Lê de mangá a física quântica e tem uma tatuagem do Pearl Jam.

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