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#CultIndica: Estrela da Manhã Usa Fórmulas Tradicionais Sem Perder Inovações

CultIndica | Leonardo Cássio | Literatura 11/05/16 - 01h Leonardo Cassio

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“Estrela da manhã”, de Manuel Bandeira, foi publicado em 1936, 6 anos após o sucesso de Libertinagem. Composto 28 por poemas (um em francês: Chanson Des Petits Esclaves), o livro retoma fórmulas clássicas de composição rompidas em “Libertinagem” sem, no entanto, perder os avanços obtidos. Na verdade, Bandeira utiliza-se de baladas e cantigas inovando não na forma técnica, mas no conteúdo. Os traços de pessoalidade e elementos de brasilidade constam nesta obra, assim como o conflito entre desejo e religiosidade.

O principal poema é o homônimo ao livro, que é o de abertura. As estrofes ilustram sentimento ensandecido e pecaminoso em se ter a estrela da manhã.

Eu quero a estrela da manhã
Onde está a estrela da manhã?
Meus amigos meus inimigos
Procurem a estrela da manhã
Ela desapareceu ia nua
Desapareceu com quem?
Procurem por toda parte (…)

(…) Virgem mal-sexuada
Atribuladora dos aflitos
Girafa de duas cabeças
Pecai por todos pecai com todos (…)

(…) Procurem por toda parte
Pura ou degradada até a última baixeza
Eu quero a estrela da manhã.

“Cantiga” é outro poema primoroso. É fluído em sua simplicidade e é construído com versos suaves:

Nas ondas da praia
Nas ondas do mar
Quero ser feliz
Quero me afogar.

Em contraponto, há “Trem de Ferro”, cujas estrofes possuem um ritmo maquinal de um trem:
[Nota do Editor: Quem viu “Castelo Rá-Tim-Bum vai se lembrar!]

Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge Maria que foi isso Maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força

Outros poemas de destaque são “Canção das Duas Índias”, “A Filha do Rei”, “Rondó do Palace Hotel” e “Flores Murchas”.
“Estrela da Manhã” carrega o DNA criativo de Bandeira estabelecido em Libertinagem, com o rompimento estético-formal e de conteúdo das formas tradicionais de poemas. Ele utiliza-se de algumas formas tradicionais de maneira irônica, estabelecendo novos parâmetros de produção poética.

A leitura é superindicada. É um livro curto, de leitura rápida e inspirador em amplos sentidos.

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