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O Livro Perdido de James Joyce

Literatura 18/11/14 - 03h Leonardo Cassio

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“Ulysses” é uma das obras mais herméticas da literatura mundial. Conversando com gente que lê compulsivamente, pelo menos uma meia dúzia disse ter abandonado a leitura do livro na metade, tamanha a ininteligibilidade do escrito.

Tão hermético e talvez mais enigmático é “Finnegans Wake”, outra obra-prima altamente complexa, devido ao experimentalismo linguístico proposto por James Joyce (1882 – 1941), com fusões de palavras da língua inglesa com outros idiomas, criando um mosaico extenso de significados e tornando a obra uma das mais difíceis de ser traduzida.

E até o início dos anos de 1990 alguns escritos de Joyce eram desconhecidos e o anúncio de textos inéditos causou alvoroço entre os fãs de literatura. Devido a intrigas judiciais, o livro só saiu 20 anos depois, chegando ao Brasil apenas em 2014 pela Companhia das Letras.

Finn’s Hotel é uma publicação cheia de mistérios. Em primeiro lugar, pelo fato de ter ficado escondida por cerca de 70 anos. Em segundo lugar, por retratar a Irlanda através de 10 contos fabulares e mitológicos que contam 1.500 anos de história. Em terceiro lugar, por ser apontado por estudiosos do escritor, em especial por um dos maiores, Danis Rose, como uma “ponte” entre “Ulysses” e “Finnegans Wake”, sendo inclusive um possível esboço deste segundo.

O “Hotel Finn’s” é um estabelecimento real onde Nora Barnacle, grande paixão de Joyce, trabalhou. Ele a conheceu no dia 16 de junho de 1904 e é exatamente em um 16 de junho que se ambienta o enredo de “Ulysses”. Da mesma maneira, não havendo qualquer indício do livro ser um esboço do último romance de Joyce, há, em um dos contos, a personagem central do “Finnegans Wake”: Humphrey Chimpden Earwicker.

O tradutor de “Finn’s Hotel”, Caetano W. Galindo, aponta em sua nota os tipos cômicos e trágicos presentes no livro e os traços biográficos que marcam a literatura do escritor e que acabam por insinuar que o livro acabou sendo mesmo um laboratório e uma inspiração entre e para “Ulysses” e “F. Wake”.

Os 10 pequenos épicos fabulares são enriquecidos com a inclusão de mais um texto inédito do irlandês: “Giacomo Joyce”. Os 11 contos são interdependentes, mas funcionam como mosaico histórico-social milenar da Irlanda, um país curioso e cheio de enigmas, assim como seu grande filho James Joyce.

Este pequeno livro de Joyce é uma minúscula amostra (a síntese) da grandiosidade deste que é, para alguns, o maior escritor em língua inglesa.

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Leonardo Cassio

Leonardo Cassio

Sócio-diretor da Carbono 60 - Economia Criativa, Leonardo Cassio é publicitário, jornalista e amante da sétima arte. Lê de mangá a física quântica e tem uma tatuagem do Pearl Jam.

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