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Sonhos Que Saíram Do Papel

Moda e Design | Slider | Thais Polimeni 10/10/18 - 04h Thais Polimeni

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HISTÓRICO
O primeiro (e único, mas ainda assim o primeiro) desfile que vi no São Paulo Fashion Week foi do estilista Fause Haten. Uma amiga da minha mãe conseguiu ingresso e eu, mesmo não manjando nada de moda, fui com total curiosidade, como boa geminiana.

Um dos ídolos do final da minha adolescência foi a cantora Maria Rita. Os primeiros show aos quais eu fui dela, o figurino era assinado por quem? Exatamente: Fause Haten.

Esse nome era sempre associado a celebridades. Ouvir “Adriane Galisteu” sem ouvir “Fause Haten” era praticamente impossível (não sei por que, mas sempre associo um nome ao outro. Lembranças dos programas vespertinos da volta da escola, talvez?).

Eu nunca me considerei interessada por moda. Falar de moda, pra mim, era falar de roupa, de mulheres-cabides na passarela e de consumismo (já que moda era estar atualizado com as últimas novidades das lojas).

DESCOBERTA SOBRE MODA
Um dia, recebi um convite da assessoria do Red Bull Station pra acompanhar um grupo de estudos sobre Moda que seria organizado no espaço. Cheguei lá sem ter ideia do que seria discutido, saí de lá sabendo menos ainda, mas, curiosamente, com uma inspiração que não sabia de onde vinha.

Outro dia, fui a um evento sobre tendências organizado por um grupo de moda do Facebook. E dessa vez fui sabendo um pouco mais, saí entendendo tudo e ainda mais inspirada (leia o texto que escrevi sobre o evento aqui). Desconfiei que a moda me inspirava, mas não entendia como.

No ano passado, fiz um curso de Cool Hunting (Pesquisa de Tendências: veja aqui o vídeo) e aí comecei a entender a minha relação com a moda. Eu sempre gostei de novidades, de compreender o diferente, de não descartar nada só porque ninguém entende. Nesse curso, estudamos como analisar o comportamento da sociedade e descobrir as próximas tendências. E uma das principais fontes de inspiração para a criação de Tendências é a moda.

SINCRONICIDADE
Moda não é roupa, como eu imaginava. Moda é comportamento, são escolhas, é inovação e disrupção. No mês passado, assisti a duas apresentações da WGSN, uma multinacional de pesquisa de tendências, e em ambas as apresentações, feitas por pesquisadores diferentes, a moda aparece como ponto de partida da anatomia das tendências. Os dados apresentados me motivaram a pesquisar mais sobre moda, e uma das oportunidades que surgiram (olha essa sincronicidade!) foi a de assistir à palestra do Fause Haten na Universidade do Papel!

O evento aconteceu nessa terça-feira e inaugurou a Programação “Sonhos que saíram do Papel“, que levará, mensalmente, um expoente de alguma área para compartilhar sua trajetória com o público.

Em um sala com cadeiras dispostas como um desfile de moda, que criavam um ambiente todo charmoso e descontraído em uma vilinha na travessa da rua augusta, Fause Haten contou sobre como iniciou sua carreira de estilista, passando pela internacionalização da sua marca, até chegar à sua profissão paralela de hoje: a de ator. Digo “paralela” porque não é bem uma segunda profissão. Além de estilista e ator, Fause também escreve, dirige, faz o figurino, cenário e até produz seus espetáculos (inclusive ele falou sobre o termo “Slashie”, que explicamos aqui nesse vídeo).

Ouvir o Fause Haten falar sobre o processo de montagem de um desfile poderia se confundir com o processo de montagem de um espetáculo teatral; Moda também é teatro. As decisões que devem ser tomadas no lançamento de uma coleção estão intrinsecamente relacionadas com o processo de abertura de uma empresa; Moda também é empreendedorismo. Levar a produção dos estilistas brasileiros para desfiles internacionais mostra a diversidade de inspiração que cada estado promove; Moda também é cultura. Ver um desfile, uma coleção pronta, comprova a criatividade nacional; Moda também é inovação.

O bate-papo com o Fause foi um revival do passado. Ele, sem saber, participou da minha adolescência. Eu, sem nem imaginar, fiquei encantada pelo trabalho dele anos depois. Tive muitas identificações com a trajetória do Fause Haten. Ser empreendedor da área criativa é diferente de qualquer outra área (veja o vídeo que fizemos sobre empreendedorismo na economia criativa) e é reconfortante descobrir que não estamos sozinhos nessa busca pelas respostas: sabemos que elas não existem e, por isso, usamos a criatividade pra deixar essa busca mais prazerosa do que qualquer resposta.

Para saber mais sobre os eventos da Universidade do Papel, curta a FanPage!
Para acompanhar o trabalho do Fause, siga-o no Instagram aqui e aqui!

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