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O Que Fazer Com Garrafas PET? | Urbanidade

Leonardo Cássio | Multicultural | Slider | Urbanidade 01/09/17 - 10h Leonardo Cassio

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A lista de problemas do Brasil é maior do que o próprio território do país e a questão da habitação é uma das mais complexas para se resolver. O déficit habitacional aflige milhões de pessoas, principalmente após a instabilidade política. Em grandes centros urbanos, a especulação imobiliária é um temor, pois qualquer terreno vazio torna-se alvo para construção de prédios, que hoje oferecem apartamentos com incríveis 10 metros quadrados, 10 METROS QUADRADOS!

Com a pobreza crescendo no Brasil pelo segundo ano consecutivo, o desemprego nas alturas, retração da economia com a consequente perda do poder de compra do brasileiro e o aumento da já estratosférica desigualdade social, muitos cidadãos veem a possibilidade de ter uma casa própria cada vez mais distante. Isso sem contar os mais de 1,8 milhão de pessoas em situação de rua, que podem morrer sem ter um teto.

Observando o caos social, algumas pessoas botaram a cachola para pensar e começaram a construir casas com garrafas pet. Sim, o resíduo que pode levar até 400 anos para se decompor tem tomado o lugar dos tijolos e tem servido de base para construção de casa populares. Com algumas variações, os materiais necessários para a obra são, além das garrafas, cimento, cal, areia, cola, sedimentos e resíduos orgânicos. As garrafas são preenchidas com resíduos e cimento e, após a secagem, são colocadas na estrutura que comporá as paredes das casas.

A quantidade de garrafas utilizadas varia de acordo com o projeto da casa. Na cidade de Extrema, Minas Gerais, o pedreiro Ed Mauro utilizou 10 mil pets no projeto da sua casa. Já a primeira casa feita pelo projeto “Casas com Botellas“, idealizado pela advogada boliviana Ingrid Vaca Diez (leia sobre a cultura boliviana aqui) utilizou 36 mil garrafas em uma casa com 170 m², o que é infinitamente maior do que os 10m² que custam R$ 100 mil. A partir, né… O projeto já entregou mais de 300 casas.

Bom, vamos enumerar aqui as vantagens deste tipo de construção:

Impacto social/econômico é o principal. Com um planeta onde a maioria é miserável e a desigualdade só aumenta, a alternativa é fundamental. No caso do exemplo da casa de Ed Mauro, o mesmo atestou ter gasto, em 2014, menos de R$ 15 mil. É uma bagatela. Ainda sobre o impacto social: o projeto “Casas com Botellas” trabalha com voluntariado, ainda que encontre dificuldades, o que aumenta o nível de envolvimento da sociedade em combater o problema da habitação. Fora isso, o tipo de imóvel acaba reutilizando janelas, portas, pias, etc., que foram descartados por outras pessoas.

Sustentabilidade: Tira resíduos das ruas, os reutiliza e os emprega em uma causa nobre. O plástico é um dos itens que mais polui cidades e meio ambiente, e como é um produto relativamente novo, estima-se que a decomposição possa durar uma média de 400 anos. Tá bom para segurar uma casa! No caso do Brasil, que possui uma Política Nacional de Resíduos Sólidos, poderia se discutir a viabilidade em larga escala de casas feitas com garrafas Pet, ainda mais no atual cenário em que estão cortando verbas para iniciativas sociais.

Fomento à Economia Criativa: buscar melhorias na execução dos projetos, inovar na arquitetura e organizar as construções em conjunto com a infraestrutura, construindo parques infantis, espaços comunitários, banheiros públicos, entre outros, com o mesmo tipo material, principalmente nas periferias, já que o poder público só reforma banheiro de parque no centro da cidade, só coloca jardim vertical em avenida do centro e só chama de linda os locais onde a especulação imobiliária tem interesse.

É isso que faz uma cidade linda 😉

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