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Empatia – o óleo das relações

Giovana De Figueiredo | Multicultural 20/02/14 - 05h Giovana De Figueiredo

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Quando entramos num curso de teatro, logo de cara sentimos na pele o quanto (tentar) atuar é a arte da empatia. Ser, sentir-se por alguns instantes, uma cortesã do séc. XVIII, um faminto bobo-da-corte medieval, um reprimido funcionário público no Rio de Janeiro nos anos 40, e por aí vai… E, lá no palco, com tal incumbência, nos descobrimos completamente nus, solitários, suspensos no tempo e no espaço. “E agora?” pensamos, apavorados.

Na essência, a empatia é a capacidade de experimentar as coisas do ponto de vista alheio, envolvendo uma profunda consideração pela situação do outro. O ideal, artisticamente falando, é que entremos no mundo perceptual privado do personagem, tornando-nos completamente à vontade nele.

E o desafio prático dos atores é: como realmente poder absorver sensações e experiências de outra pessoa como se fossem nossas próprias?

O mecanismo é que os sentimentos alheios, em determinadas situações, são compreendidos através de nossas próprias experiências passadas, baseados nas emoções que consideramos prováveis naquelas condições. Por exemplo, se interpretamos um assassino, não temos como saber como é matar alguém na prática, então investigamos a miríade de sentimentos prováveis que levaram a pessoa a tal gesto, tentando nos aproximar de nossas memórias reais mais similares possíveis com a cena em questão. Se não existirem tais lembranças, apelamos a referências na ficção e à imaginação.

Mas, por mais que a gente consiga desenvolver a capacidade de se colocar por trás dos olhos de outros, a empatia abrange a capacidade de compreender, reconhecer e sentir a nossa própria gama de emoções. Senão como poderíamos opinar verdadeiramente?

E a empatia para os resultados nos negócios? Há inúmeros estudos que a correlacionam com o aumento das vendas, com o melhor desempenho de gestores, de equipes de desenvolvimento de produtos e com o sucesso da liderança de jovens profissionais da atualidade, com seu estilo todo próprio: independentes, opinativos e altamente nômades em seus “empregos”.

Em um antológico artigo da Harvard Business Review, intitulado “O que faz um líder”, o renomado escritor e psicólogo norte-americano Dr. Daniel Goleman identifica três razões pelas quais a empatia é tão importante: o uso crescente de equipes, (“caldeirões de emoções borbulhantes”), o rápido ritmo da globalização (e sua complexa comunicação transcultural) e a crescente necessidade de reter talentos. “Os líderes com empatia“, afirma Goleman, “fazem mais do que apenas simpatizar com as pessoas ao seu redor: eles usam seu conhecimento para melhorar suas empresas de forma sutil, mas fundamental. Isso não significa que eles concordem com a opinião de todos ou tentem agradar a todos. Ao contrário, eles cuidadosamente consideram os sentimentos dos trabalhadores – juntamente com outros fatores – no processo de tomada de decisões inteligentes.

É a empatia direcionada aos negócios que possibilita ter profundidade suficiente de entendimento para se relacionar com os problemas e desafios, e ao mesmo tempo mostrar preocupação e alinhamento com as pessoas.

Agora, seria a empatia uma função da maturidade cognitiva? Seria a capacidade de experienciar outros pontos de vista, o que é extremamente complexo, algo aprimorável?

Goleman ressalta que assim como qualquer capacidade, a empatia pode ser melhorada através de esforço e treinamento, pois não diz respeito apenas à compreensão dos sentimentos e comportamentos dos outros, mas também à inteligência, onde nosso conhecimento nos possibilitaria modelar relações interpessoais fortes e tomar melhores decisões.

Cada vez mais entramos numa era onde as competências sociais são um fator vital para o sucesso. Maaaas, antes dos conselhos a seguir, não nos esqueçamos que tais capacidades até podem ser aperfeiçoadas, mas JAMAIS poderão ser forjadas:

Ouvir realmente as pessoas com ouvidos, olhos e coração. Prestar atenção à linguagem corporal dos outros, ao tom de voz, às emoções escondidas por trás do que eles estão dizendo para você, e tudo inserido no contexto.

  • Não interromper as pessoas. Não descartar as suas preocupações logo, nem se apressar em dar conselhos. Não mudar de assunto. Permitir que as pessoas tenham o “seu momento”;
  • Sintonizar-se com a comunicação não-verbal. Esta é a maneira que as pessoas costumam comunicar o que pensam ou sentem, mesmo quando a sua comunicação verbal diz algo completamente diferente;
  • Usar o nome das pessoas. Lembre-se também os nomes do cônjuge e filhos para que você possa se referir a eles pelo nome;
  • Incentivar as pessoas, principalmente as mais introspectivas, quando falam nas reuniões. Coisas simples como um gesto atento ou um acréscimo seu à fala do outro podem aumentar a confiança das pessoas;
  • Dar verdadeiro reconhecimento e elogios: Prestar atenção ao que as pessoas estão fazendo e reconhecer quando estiverem fazendo as coisas certas. Tentar tornar suas palavras genuínas, isso as tornarão inesquecíveis.
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Giovana De Figueiredo

Giovana De Figueiredo

Estudou administração de empresas e análise de sistemas, mas precisava criar. Abandonou os negócios e os computadores e tornou-se atriz, diretora e roteirista. Com sólida formação artística passou por todos os estilos teatrais, mas a comédia sempre falou mais alto. Criou e dirigiu ações de marketing e endomarketing, intervenções teatrais, espetáculos corporativos e treinamentos nas áreas de criatividade, vendas, comunicação e expressão. Hoje tem a Playstorming, uma empresa de treinamento e consultoria em criatividade e inovação. Site Playstorming: http://www.playstorming.com.br

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