Fechar Menu [x]

Culinária E Cultura Boliviana Em São Paulo | LugarCult

*Destaque-Home | Leonardo Cássio | LUGARCULT | Multicultural | Slider | Urbanidade 21/08/17 - 10h Leonardo Cassio

166-feira-kantuta

Se tem um povo discriminado em São Paulo esse povo é o boliviano. Começa pelo preconceito cultural: o brasileiro, em geral, não se interessa pela cultura latino-americana, vista como inferior, desconhece qualquer coisa sobre a Bolívia e, quando conhece algo, é sempre vinculado a algum estereótipo ridículo.

Pior de tudo é que os bolivianos, que são a segunda maior comunidade imigrante da Grande São Paulo – só perdem para os portugueses -, são explorados, quando não escravizados, pela indústria têxtil. No centro da cidade e em bairros como Pari, Brás, Vila Guilherme e Vila Maria há grande concentração de bolivianos, sendo que boa parte prefere estar em São Paulo em condições ruins ou mesmo precárias a voltar para a Bolívia. Triste.

Para mitigar a saudade, manter vivos os costumes e apresentar a cultura nativa para paulistanos e brasileiros em geral, um grupo de bolivianos pertencente à Associação Gastronômica Cultural e Folclórica Boliviana Padre Bento fundou uma feira no início de 2002, conhecida como Feira Kantuta.

Kantuta é uma flor típica da Bolívia, considerada símbolo nacional, e que já era reverenciada pelos Incas. A feira leva o mesmo nome da praça onde se estabelece aos domingos, das 11h às 19h00, aproximadamente, mesmo endereço da Associação Padre Bento.

O endereço é no bairro do Pari, bem atrás do estádio do Canindé, pertencente à outrora gloriosa Portuguesa, na Marginal Tietê, e a poucos metros do Metro Armênia. É um local de encontro da comunidade boliviana, que comparece aos milhares durante os domingos. É um local simples, com barracas similares às de festa junina, com diversos itens da cultura da Bolívia.

Lá você encontra vestimentas coloridas como chapéus, calças, saias, blusas e ponchos de lã. Barracas com indumentárias mais folclóricas ou ligadas aos Incas e à cultura andina também marcam presença na Kantuta, destacando-se panos decorativos, peças em argila e quadros de madeiras entalhados. Instrumentos musicais também estão presentes, com destaque para a flauta de pã, conhecida por quem circula no centro de São Paulo.

Em alguns domingos, ocorre apresentação de grupos de dança e grupos folclóricos, ao ar livre. Eles se organizam em datas comemorativas para apresentações na Feira, com destaque para o Carnaval, Dias das Mães e Independência da Bolívia, celebrada no dia 6 de agosto.

Apesar de tantas curiosidades, o destaque da feira é a gastronomia. São inúmeras barracas com comida boliviana verdadeira, típica, feita por bolivianos. Assim: se você tem problemas em comer na rua ou comer comida de barraca, o lugar não é para você. É bem organizado, simples e feito ali na sua frente.

Empanadas e Salteñas – eu achava quer era a mesma coisa – são campeãs de vendas. São generosas, baratas – média de R$ 5,00 – em diversos sabores e que é indicado você comer o recheio com colher porque senão vira lambança.

Opções de almoço são inúmeras. A culinária deles tem bastante carne de porco, peixe e frango. Silpancho leva um bife, ovo, arroz, salada e batata frita. Pique Paceño é uma porção de linguiça, ovo cozido, carne bovina e bata frita, servidos misturados em uma travessa. Carquekan tem uma carne seca ralada e frita, com uma fatia de queijo, um tipo de salada, batata escura e a nossa comum, ambas cozidas, grãos de um milho mais esbranquiçado e dos ovos cozidos com casca… Mano! Esse prato foi ~ topzera ~. Tem um prato Salchipapas, que são pedaços de salsinhas com um molho e batatas e uma sopa chamada Mani, feita de milho branco, batata e macarrão. Há outros pratos e umas opções de peixe na brasa, e o experimento hard chamado anticucho, um prato peruano, que é um espetinho de churrasco de coração de boi. É bom e nada menos chocante do que coração de galinha que o brasileiro come. Falando em peruano, há uma barraca de comida típica do Peru, que vende ceviche e porções de peixes, e no domingo que fui tinha um rapaz sírio vendo uma carne no espeto, tipo churrasco grego. Vegetarianos podem pedir a sopa ou variações de pratos com batata, salada, milhos e ovos.

Para beber, tem o Mocochince, uma bebida, tipo um chá, feita de pêssego, canela, água e açúcar; Api, uma bebida quente feita de milho roxo, comumente consumida no café da manhã; tem um refrigerante amarelo bem claro chamado Inka Cola, que é peruano, mas consumido na Bolívia (esse é caro, tipo R$ 12,00 uma garrafa) e a cerveja boliviana Pacenã (também cara, R$ 12,00 uma lata).

A Feira Kantuta promove um interessante contato com a cultura boliviana que, como disse no início do texto, é uma das mais tratadas com preconceito. O local é um ponto de encontro para os bolivianos, que são os que mais marcam presença no local. Quem gosta de viajar, conhecer culturas diferentes e experimentar novos tipos de comida, o lugar é um prato cheio indicadíssimo! Por incrível que pareça, em uma das minhas idas, tinha um grupo composto por 3 idiotas que estavam fazendo piadinhas abjetas e não foram os bolivianos que os convidaram a se retirar: foram os brasileiros que, como nós da Cult, não compactuamos com preconceitos. Desfrute um pouco da Bolívia na Feira Kantuta!

Feira Kantuta
Todos os domingos, das 11h às 19h
Praça Kantuta
Altura do nº 625 da rua Pedro Vicente, bairro do Pari, São Paulo (SP).

Como chegar: de transporte público, desça na estação Armênia do metrô. A praça da Kantuta está a 700 metros.
Ônibus: descer na Cruzeiro do Sul, em frente à Escola de Educação Física da Polícia Militar. Pegar rua Pedro Vicente. Quem descer na Marginal Tietê, em frente ao Shopping D, subirá a Cruzeiro do Sul e entrará na Rua Pedro Vicente.

Foto: Luis Vasquez/ Assempbol/ Fotos Públicas

Tags: , , , , ,