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Inovadores são rebeldes?

Giovana De Figueiredo | Multicultural 06/02/14 - 11h Giovana De Figueiredo

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Estava eu aqui com cara de vaca ao longe, tentando encontrar um ponto de partida. O dia tinha sido ordinariamente sem inspiração, quando me pego encarando o meu próprio mural. E lá estava o trio: Frida Kahlo, Andy Warhol e Patolino. Mas o que estes três elementos teriam em comum, além de estarem grudados numa placa metálica segurando a papelagem? Tá nítido! De estilos, origens, épocas e planos de realidade diferentes, todos eles foram: rebeldes, desajustados, jamais se encaixaram no status quo e sofreram psíquica e fisicamente, ou seja, todos tiveram, em algum momento, uma existência outsider.

O Patolino é considerado potencialmente esquizóide, com provável DDA, é paranóico, arrogante e é bastante autodestrutivo, nitidamente o seu pior inimigo. Mas tem um carisma desgraçado! Só enche o saco, um lunático, sabota tudo e todos, mas, mesmo assim, AMAMOS ele!

À lendária pintora mexicana Frida Kahlo atribui-se “instabilidade emocional, sentimentos crônicos de vazio e medo de abandono”. De merecido reconhecimento – póstumo, infelizmente – teve vida atormentada por incontáveis obstáculos, fortes dramas pessoais e abusos, mas nenhum deles a impediu de deixar sua marca criativa – e genial – no mundo. Ao contrário, ela começou a pintar depois de grave e irreversivelmente acidentada.

Andy Warhol – o mais “bem sucedido” em vida. Há quem não o considere um outsider. Mas a infância o condenou, sim, a ser um desterrado: quando criança, teve coreia, doença do sistema nervoso que provocava movimentos involuntários das extremidades, causando manchas de pigmentação na pele. Hipocondríaco, desenvolveu pânico de hospitais e médicos. Tornou-se um excluído entre os seus colegas de escola: bullying! Depois, Warhol foi rotulado de: artista, celebridade, escritor, cineasta, jet setter, filósofo, ícone, controverso, revolucionário, marketeiro, subterrâneo, dispensável e banal.

Então, ligando as ideias= rebelde + inovação, eis o que me surge: um livro de 2008, “Market Rebels: How Activists Make or Break Radical Innovations Hardcover”, by Hayagreeva Rao. Este Professor de Comportamento Organizacional e Recursos Humanos na Graduate School of Business da Universidade de Stanford explica como “rebeldes” do mercado – ativistas que desafiam a autoridade e convenções – são a verdadeira força por trás do sucesso ou fracasso de inovações radicais.

Eles são grupos de indivíduos que, juntos, formam mercados através do que Hayagreeva chama de “causas quentes” (hot cause) e que despertam emoções através da mobilização legal (cool mobilization). Essa combinação permite aos participantes perceber identidades coletivas. Executivos que entendem os papéis e práticas dos “rebeldes do mercado” são, obviamente, mais propensos a ser líderes de sucesso em inovação.

Verdadeiros líderes inovadores seriam… “insurgentes”?

O livro de Rao envolve através de uma absorvente narrativa em torno de sólida pesquisa acadêmica, e mostra como ativistas foram a chave para a popularização do automóvel (não, Henry Ford não foi o único responsável), o desenvolvimento do computador pessoal, os sucessos, falhas, e persistência das cadeias de lojas, e a proliferação de microcervejarias nos EUA.

Através de seus múltiplos exemplos, concluímos facilmente que os movimentos sociais representam uma faca de dois gumes para as empresas… Por exemplo, o movimento antitabagista baseou-se em uma coalizão de pesquisadores de saúde e advogados que desempenharam um papel central na colocação de restrições no mercado de cigarros.

Da mesma forma, o movimento pró comida orgânica estabeleceu a aliança entre ambientalistas e produtores de alimentos disponíveis em suas regiões específicas, e criou um grande desafio de fornecimento para as empresas de alimentos de produtos padronizados.

Parte de se conseguir capitalizar para as empresas o espírito desses revoltosos. Vai depender mesmo da sensibilidade dos líderes e gestores de inovação: se estes souberem tirar partido sobre os movimentos preexistentes, eles poderão criar enormes oportunidades, ou ao menos prevenir estrondosos desastres.

O desafio prático para estes gestores é aprender a pensar como os “rebeldes”, o que, para muitos, vai exigir efetuar uma séria mudança de mentalidade. Os executivos que forem capazes de fazê-lo vão aumentar suas chances não só de moldar a aceitação de produtos inovadores no mercado, mas também de estimular a mudança radical, quando for necessário, dentro de suas próprias organizações.

Este livro, sem dúvida, estimula e encoraja o pensamento sobre como alinhar e engajar pessoas em sua causa – seja esta uma inovadora oportunidade de negócio ou a sua causa social favorita!

Algumas análises:

Os estudos de caso são fascinantes e expuseram o desafio dos modelos econômicos tradicionais, que sempre privilegiaram a escolha individual do consumidor, ignorando as mobilizações sociais mais amplas. Um capítulo final oferece conselhos e estratégias para pretensos “rebeldes do mercado” à procura de aproveitar uma ação coletiva, fazendo deste livro um recurso útil para os ativistas cidadãos e líderes empresariais e profissionais de marketing em busca de apoio popular para seus produtos.” – Publishers Weekly

‘Market Rebels’ usa o movimento popular que levou à aceitação generalizada do automóvel como o ponto de partida para uma série de breves estudos de caso que analisam como os ativistas fazem ou mesmo quebram inovações radicais.” – Jonathan Birchall, Financial Times

Rao destaca os movimentos sociais como fatores subestimados no chamado mercado das “inovações radicais”. Através de estudos de caso bem trabalhados e intrigantes, ele mostra como os ativistas mobilizaram e influenciaran na aceitação de inovações, fossem elas tecnológicas, culturais ou estruturais. (…) As publicações acadêmicas de Rao, relacionadas com a sua experiência como sociólogo organizacional, fornecem a base para esta obra, que ele dirige explicitamente ao público em geral e, especialmente, para os empresários que procuram promover as suas próprias inovações.” – Choice

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Giovana De Figueiredo

Giovana De Figueiredo

Estudou administração de empresas e análise de sistemas, mas precisava criar. Abandonou os negócios e os computadores e tornou-se atriz, diretora e roteirista. Com sólida formação artística passou por todos os estilos teatrais, mas a comédia sempre falou mais alto. Criou e dirigiu ações de marketing e endomarketing, intervenções teatrais, espetáculos corporativos e treinamentos nas áreas de criatividade, vendas, comunicação e expressão. Hoje tem a Playstorming, uma empresa de treinamento e consultoria em criatividade e inovação. Site Playstorming: http://www.playstorming.com.br

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