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O Artista é Empreendedor? Ou o Empreendedor é Artista?

Multicultural | Thais Polimeni 16/11/15 - 02h Thais Polimeni

empreendedor-artista

Um dia desses, uma amiga passou por uma fase de amor platônico meteórico por um músico. Em 15 minutos de contato, ela se inspirou e começou a mandar mensagens no nosso grupo do WhatsApp defendendo o quão lindo e admirável é o trabalho do artista que, por mais que não ganhe dinheiro ou faça trabalhos paralelos, nunca vai abandonar sua arte.

Eu, que estou vivendo um caso de amor platônico meteórico por um empreendedor, comecei a fazer um paralelo entre artistas e empreendedores.

Há muito tempo eu tenho percebido que o trabalho do artista se assemelha muito com o trabalho do empreendedor. Comecei no empreendedorismo trabalhando diretamente na gestão de carreira de uma cantora. Naturalmente, fiz muitos amigos na área cultural e no ecossistema empreendedor, o que me fez sempre defender a ideia de que os cursos de arte deveriam ter a disciplina de empreendedorismo para ensinar os artistas a gerenciar a própria carreira.

Ser artista é trabalhar por projeto, assim como ser empreendedor é trabalhar por cliente. Ambos os trabalhos têm, geralmente, uma data final preestabelecida. O ator ou o bailarino entram em um espetáculo sabendo a data do término (com possibilidade de prorrogação, mas é apenas uma possibilidade); o músico ou o cantor são contratados para um show (ou uma turnê com uma data final); o artista plástico é contratado para criar uma obra; o escritor é contratado para escrever o livro (no caso, escritores já renomados, né… Os que estão começando escrevem e torcem para vender para os amigos, pelo menos). Considere as variações de cada arte específica: ilustrador, desenhista, estilista, profissionais de cinema, etc. Depois que o projeto acaba, como fica? Muitos artistas ficam sem chão ao final de um projeto. O ideal seria, então, ter outro projeto confirmado para começar assim que terminasse o atual. Fazer o famoso “networking” da linguagem empreendedora.

Muitos empreendedores (arrisco dizer que a maioria que eu conheço) começam o negócio se submetendo ganhar menos do que ganharia se fosse CLT por acreditarem no negócio. Eles veem os amigos galgando posições de destaque em multinacionais, tirando férias remuneradas e recebendo 13º, enquanto ele investe e reinveste na empresa. Empreendedores e artistas se mantém firmes em seus propósitos e valores, visando fazer a diferença no mundo a cada minuto, principalmente através de seus trabalhos. O cargo, para os empreendedores, não faz diferença (mesmo porque são eles que decidem o que vão colocar nos cartões – sócio, presidente ou CEO), pois sabem que, independente da posição que ocupam, o job description do empreendedor vai desde negociar com Diretores de Multinacionais até fazer café para o cliente. Assim como o job description do artista vai desde viajar para a Ilha de Caras até limpar o chão do palco fazendo a plateia acreditar que aquela era uma marcação de cena.

Artistas e Empreendedores fazem parte das novas formas de trabalho analisadas pelo filósofo francês Yvez Schwartz, os “grupos de projetos”, formados por pessoas com espírito de cooperação, bom relacionamento interpessoal e capacidade de lidar com diferenças. O cotidiano inspira empreendedores e artistas. As relações interpessoais os motivam a busca pelo sucesso. A diferença entre os pares é o que faz a diferença nos resultados.

Ser artista ou empreendedor é lidar com imprevistos, é saber calcular riscos, é arriscar, é não se desesperar quando algo dá errado, é não ver a crise como um obstáculo, é enxergar oportunidades, é ter soluções práticas a qualquer momento, é seguir a intuição, é se importar com o outro, é estar atento, é acreditar no ser humano. É acreditar. É ser. Integralmente. E acho que por ser tão raro, hoje em dia, alguém ser e estar integralmente, que eles acabam sendo tão apaixonantes. :)

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Thais Polimeni

Thais Polimeni

Thais Polimeni é editora e uma das fundadoras do blog Cult Cultura e, ao lado de Leonardo Cassio e Daniel Ávila, é sócia-diretora da Carbono 60 - Economia Criativa. Publicitária, jornalista, paulistana, tiete e geminiana, Thais é viciada em teatro, cappuccino e wi-fi. Dizem que é descendente direta de Buda, mas na TPM, nem ela se aguenta. É colunista do Jornalirismo e tem seu alter-ego publicado aqui: facebook.com/thaisPOULAINmeni

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