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10 Melhores Álbuns Gringos de 2017

Música 22/12/17 - 08h Cult Cultura

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2017 foi um ano incrível para a música e uma prova tardia que eu tive disso foi a dificuldade pra chegar a essa lista final de álbuns. Em um ano que artistas de Soundcloud viraram grandes artistas mainstream e que artistas mainstream continuaram o seu legado adicionando grandes obras ao seu catálogo, uma coisa é certa: seja lá qual o seu gênero musical preferido, alguma coisa fora da sua zona de conforto vai te agradar! Aqui estão nossas escolhas para os discos do ano de 2017!

1) Kendrick Lamar – DAMN.
kendrick lamar damnDepois de soltar dois clássicos (pra mim, três, pois o Section.80, apesar de não ter alcançado o sucesso comercial dos sucessores, ainda se trata de uma obra-prima do hip hop desse novo século), muito se esperava do Kendrick e não é pra menos. Um cara não pode simplesmente soltar álbuns como Good Kid, M.A.A.D City e To Pimp a Butterfly e não criar expectativas em todos os fãs, de rap ou não. E DAMN. chegou do jeito que tinha que chegar: pesado. É bem mais curto que os anteriores, mas a mensagem está lá da mesma forma. Nesse último trabalho, temos um Kendrick mais pessoal e intimista, abrindo todos os seus medos para os ouvidos do público e mostrando que todo gênio é alguém como eu e como você. Uma pessoa com medos, receios, desilusões e, mais que tudo, esperança. Há quem diga que não é o melhor trabalho que ele poderia fazer. Eu digo que é exatamente o que nós precisávamos ouvir.

2) Lorde – Melodrama
lorde melodramaAssim como DAMN., Melodrama também é um álbum bem pessoal e intimista. A neozelandesa Lorde, agora mais experiente do que a garota de 16 anos de Pure Heroine, seu álbum de estreia, se mostra vulnerável ao entregar as 11 faixas que eu garanto: você não vai conseguir pular nenhuma. A produção é excelente como já é de esperar de um álbum do gênero, porém, esse não é só mais um play de pop comum. A interpretação de Lorde é algo que trouxe um frescor interessante para o já batido pop mainstream que carece (desde sempre?) de um pouco de crueza e verdade. Já pelo lado lírico do álbum, temos uma compositora no auge de sua criatividade, usando e abusando de (ótimas) analogias para se referir aos seus sentimentos, sejam eles bons ou ruins, e traduzi-los em forma de canção. Poderia facilmente ocupar o primeiro lugar dessa lista.

3) Tyler The Creator – Flower Boy
tyler the creator flower boyEsse eu fui escutar com dois (e se eu tivesse três, três) pés atrás, porque o trabalho anterior do cara simplesmente não funcionou pra mim. Eu amo os dois que precederam o não inspirado Cherry Bomb de 2015, e é sempre um duro golpe quando um dos seus artistas preferidos da atualidade solta algo tão sem sal como foi esse play. Parece que o próprio Tyler também não ficou 100% satisfeito e resolveu voltar ao som que ele destrói quando pega pra fazer. Flower Boy (que eu jurava que chamava Scum Fuck) é o melhor álbum da carreira do rapper que já tem dois pesos pesados na manga (Goblin e Wolf). É o auge lírico de um artista multiplataforma que se reinventa sem perder a própria essência. Os beats e samples são todos com a cara dele, não tem uma música que você ouve e pensa “ah essa faria sentido com fulano” porque tem TYLER escrito por toda a parte e em cada batida. As participações no disco também foram muito bem escolhidas com A$AP Rocky matando e o genial Frank Ocean emprestando sua voz em mais de uma faixa, por exemplo. Ame o Tyler ou odeie, indiferente você não vai ficar.

4) SZA – CTRL
sza ctrlDepois de dois EPs que acabaram por criar muita expectativa em cima do álbum de estreia, SZA finalmente soltou o trabalho e, sinceramente, acho que não poderia ter saído melhor. CTRL conta com 14 faixas e diversas participações como Kendrick Lamar e Isaiah Rashad (colegas de selo da cantora) e Travis Scott. São 14 canções que tratam da vida amorosa da cantora e de todas as desilusões que isso pode trazer para alguém. Acho que 2017 foi o ano de músicas mais intimistas e cheias de autorreflexões, não? O R&B dos dois primeiros lançamentos da americana está mais forte do que nunca e também mais triste e melancólico. A produção do álbum é impecável e conta com um time que já trabalhou com o próprio Lamar e outras grandes estrelas da música atual, como Pharrell Williams (que participa nos vocais da faixa de abertura). SZA é um tipo diferente de estrela e isso é fácil de notar. Sua voz, seu flow e sua interpretação definitivamente vão ganhar mais e mais louvor da mídia, especializada ou não, pois se trata de uma cantora com capacidade para brilhar fora de seu gênero, visto que, apesar de ser um disco de R&B e Soul, existem mais estilos por onde ele transita, desde o funk e até mesmo o indie rock. Não existem limitações para o talento de SZA. Que bom!

5) Sorority Noise – You’re Not As __ As You Think
sorority noise you're not _____ as you thinkCom a onda do emo revival mais viva do que nunca, muitas bandas boas apareceram e/ ou se reinventaram durante essa revolução de dentro pra fora do gênero. Uma delas, com certeza, é o Sorority Noise. Vindos de Connecticut e com membros da Old Gray e Prawn (duas bandas maravilhosas, inclusive), os americanos do Sorority Noise retornam em seu terceiro trabalho “You’re Not As __ As You Think” mais sombrios do que nunca. Tratando de assuntos sérios e pouco conversados na área mainstream da música, como depressão e suicídio, o álbum pode ser visto como um serviço de utilidade pública, pois a sua linguagem visceral pode, deve e com certeza já ajudou muitos fãs da banda. A forma de compor da banda, aqui muito evoluída em comparação com seus dois trabalhos anteriores, trabalha com várias camadas e texturas de sons, tornando o que é bonito ainda mais belo. O luto e a tristeza de Cameron Boucher, que conta como perdeu seus amigos para vícios e problemas de saúde mental, torna essa compilação de músicas tristes em um dos álbuns mais lindos que o gênero viu.

6) Jay Som – Everybody Works
jay som everybody worksEu não conhecia essa pessoa maravilhosa até alguns meses atrás, quando um amigo me mandou um link e eu fiquei “mas o que é isso?”. Jay Som é projeto da cantora e compositora americana Melina Duterte e, se fosse necessário definir esse projeto em uma palavra, eu usaria EITA. Esse é o segundo trabalho da cantora com o projeto e se trata de tudo que o dream pop deveria ser: sutil, delicado e cheio de emoção. Durante suas 10 faixas, em pouco menos de 40 minutos, a cantora usa e abusa do seu bedroom pop, incluindo elementos de shoegaze e indie em canções que, fácil perceber, foram trabalhadas à exaustão. Nada soa como inacabado ou “poderia ter isso ou aquilo ou aquilo outro”. Tudo soa perfeito do jeito que está e essa é uma das melhores sensações possíveis que podemos ter ao ouvir o disco. Sentir que o trabalho foi cuidado e amado enquanto feito faz com que nós amemos e até cuidemos mais da experiência que temos ao ouvir pela primeira vez (e segunda e terceira, pois cada vez que escuto ele se torna mais especial). Uma pena não ter sido disponibilizado nas principais plataformas de streaming, mas isso não é motivo para reclamação, já que se encontra na íntegra e gratuitamente no canal da Polyvinyl Records no YouTube. Pare tudo que está fazendo e só vai!

7) Courtney Barnett & Kurt Vile – Lotta Sea Lice
courtney barnett e kurt vile sea lotta liceBem, veja só. Algo só daria errado na collab desses dois seres maravilhosos se eles se esforçassem para fazer algo ruim de fato. Muito foi criado em torno da junção de Courtney Barnett e Kurt Vile em estúdio. Dois dos instrumentistas e compositores atuais mais celebrados pela mídia “alternativa” de música fazendo um álbum em conjunto? Geralmente quem gosta do trabalho de um, gosta do outro, então obviamente não tinha como algo criar um hype maior do que o criado por Lotta Sea Slice e, graças ao talento deles, o hype foi totalmente justificado. Se trata de um projeto que reside no indie rock, mas transita (e com classe) pelo folk em quase todos os seus arranjos e melodia. São 9 faixas que juntam as melhores características de composição de Coutney e Kurt (já lemos isso em algum lugar?) e essas características acabam traduzidas em um dos álbuns mais consistentes que o gênero viu em (alguns) anos. Que seja a primeira de muitas colaborações entre os dois.

8) Thundercat – Drunk
thundercat drunkGravado em 2016 e lançado em fevereiro desse ano, Drunk é o terceiro trabalho de estúdio do músico americano Stephen “Thundercat” Bruner. Uma viagem de 23 faixas com o melhor do fusion jazz contemporâneo que você pode encontrar atualmente. Tudo nesse disco soa bem. O instrumental (Thundercat é um dos baixistas mais talentosos da atualidade) é o máximo da elegância que pode ser atingida por seres humanos; a produção a cargo do próprio Thundercat em parceria com o genial Flying Lotus (que virá ao Brasil junto do Radiohead em 2018) e Sounwave beira a perfeição, com todos os elementos do som tendo destaque e nenhum roubando a luz do outro; e as participações são pra lá de especiais com pessoas do quilate de Kendrick Lamar, Kenny Logins, Pharrell e Michael McDonald. É um álbum cheio de soul e groove que, fã do gênero ou não, você com certeza vai amar.

9) Converge – The Dusk In Us
converge the dusk in usEsse é um caso que algumas pessoas vão chamar de clubismo, mas não consigo evitar: eu realmente amei The Dusk In Us, último trabalho de uma das bandas mais influentes do metal moderno, a Converge. Depois de um hiato de 5 anos, os americanos de Massachusetts estão de volta e no melhor de sua forma com um álbum que ousa o suficiente para ser colocado como o auge melódico no catálogo dos caras. As letras de Jacob Bannon continuam inspiradíssimas e o instrumental afiado como sempre. Produzido por Kurt Ballou, guitarrista da banda, o trabalho vem carregado de desespero, caos, mas também sensibilidade em suas composições. O apelo visual, também marca da banda, tanto para seus vídeos quanto para a arte do play é 10/10. É um álbum que soa mais como uma declaração definitiva de que o metalcore ainda tem como líder essa banda que, por tudo que é mais sagrado, não pode acabar tão cedo. Vida longa!

10) Migos – Culture
migos cultureAme ou odeie a nova leva de rappers, impossível não respeitar o que eles vêm alcançando com seus trabalhos. Uma das novas tendências dentro da cultura é o trap e um dos seus principais representantes é o trio de Atlanta formado por Quavo, Offset e Takeoff, o Migos. Formado em 2009 e com alguns (muitos) problemas legais desde então, o Migos vem deixando sua marca e já pode ser considerado um dos atos mais influentes na cena. Com seu flow característico, o segundo álbum dos caras veio pesado do jeito que era esperado. Melhor que Yung Rich Nation, o álbum de estreia, Culture é possivelmente a melhor forma de se apresentar essa vertente do hip hop para alguém que não conheça ou não esteja completamente familiarizado com o estilo. A continuação já está sendo produzida e levará o nome de Culture II e contará com ninguém mais ninguém menos que Kanye West na produção executiva do álbum. Pelo bem ou pelo mal, com polêmicas e problemas com a lei, o Migos veio pra ficar.

Menções honrosas:
Como é difícil listar apenas 10, aqui vai uma lista de álbuns lançados esse ano que não chegaram ao topo, porém, merecem e muito uma conferida:

• Vince Staples – Big Fish Theory
• Father John Misty – Pure Comedy
• Harry Styles – Harry Styles (leia aqui o que escrevemos sobre)
• Waxahatchee – Out in the Storm
• The National – Sleep Well Beast
• Protomartyr – Relatives In Descent
• War On Drugs – A Deeper Understanding

Euclides

Clids Ursulino. 30 anos. Música, cinema, futebol e política. E o que mais aparecer entre um café e outro.

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