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#CultIndica: 5 Décadas De Rock

CultIndica | Música 13/07/17 - 10h Cult Cultura

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Em comemoração ao dia mundial do rock, hoje vamos ter essa matéria especial com um álbum de cada uma das últimas 5 décadas que ajudaram a dar a cara do gênero em algumas de suas muitas fases. Sendo o rock um estilo em constante evolução e, ao contrário do que dizem, está longe de estar morto (apenas respira por aparelhos em alguns de seus estágios), esse texto acaba sendo apenas uma amostra de sua força no passar dos anos. Então aproveite as dicas, aumente o volume e comemore o dia do estilo que faz dançar e pensar:

Década de 60
Led Zeppelin – Led Zeppelin (1969)
led-zeppelinPara ilustrar a década de 60, uma década tão rica no gênero e com tantos clássicos lançados de bandas como Beatles, Rolling Stones, Beach Boys, Deep Purple, The Who, entre outras, escolhemos o álbum de estreia do grupo inglês Led Zeppelin. Depois do fim dos Yardbirds em 1968 (Jeff Beck havia saído do grupo em 1966 e desde então as atividades na banda diminuíam mais e mais), Jimmy Page se viu com alguns compromissos ainda sob o nome de sua banda que acabara de encerrar as atividades e sem músicos para tocar ao seu lado. Assim, convocou o então vocalista da “Band of Joy”, Robert Plant, que levou seu baterista John Bonham e, por último, John Paul Jones, e o Led Zeppelin estava formado. Já em 1969, lançaram seu álbum de estreia que viria a ser um dos grandes clássicos do gênero. Gravado em 1968 e lançado no começo do ano seguinte, o álbum, como muitos outros que marcaram a história, não teve uma recepção positiva da mídia. História essa que se repete em vários outros casos ao longo dos anos. Produzido pelo próprio Page, foi um marco no rock e para a banda, que se encontrava numa década de supergrupos aparecendo constantemente e sempre lutando para provar sua autenticidade, como disse Cameron Crowe sobre o lançamento. A Rolling Stone, grande veículo de música e cultura pop dos EUA, foi uma das que, com o passar dos tempos, assumiu o erro e, hoje, considera um dos grandes discos da história. Clássicos como “Good Times Bad Times”, “Dazed and Confused” e “Communication Breakdown” davam um gostinho do que viria mais pra frente: uma das maiores bandas da história prestes a deixar um legado que permaneceria até o fim dos dias. Indispensável!

Menções honrosas:
The Beatles – A Hard Day’s Night (1964)
The Rolling Stones – Let It Bleed (1969)
The Who – Tommy (1969)
The Beach Boys – Pet Sounds (1966)

Década de 70
Ramones – Rocket To Russia (1977)
rocket to russiaNos anos 70, muitas coisas aconteceram. Bandas importantes acabaram, como os Beatles, e novos movimentos surgiram. O metal era moldado com bandas como “Black Sabbath”, “Judas Priest” e “Motorhead”, o hard rock ganhava força com “Van Halen”, “AC/DC” e “Alice Cooper” e o punk dava seus primeiros sinais de vida vindos de clubes sujos dos EUA e da Inglaterra. E foi o punk o escolhido para ilustrar essa década. Os Ramones eram 4 caras que talvez não fossem os melhores nos seus instrumentos, mas sabiam o que estavam fazendo. O grupo, formado em 1974, contava com Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy. Inspirados por Paul McCartney, todos seus membros adotaram Ramone como sobrenome e em 1976 lançaram seu álbum de estreia, que levava o mesmo nome da banda. A dica dessa década é o terceiro disco dos caras, o clássico “Rocket To Russia”, lançado em 1977, ano crucial para a história do punk. Gravado em dois meses, foi o último álbum com o baterista original Tommy Ramone nas baquetas. Não foi um sucesso de venda inicialmente, mas conquistou a crítica especializada que dizia que a produção “apenas dava mais força para a música dos Ramones”. Daí saíram “Rockaway Beach”, “Sheena Is a Punk Rocker” e “Teenage Lobotomy”, clássicos absolutos não só da banda como da música em si. Toda uma geração dançou e continua dançando os sons do quarteto de Nova York e não há indícios de que isso um dia irá parar.

Menções honrosas:
Black Sabbath – Black Sabbath (1970)
Deep Purple – Machine Head (1972)
AC/DC – Highway To Hell (1979)
Led Zeppelin – Led Zeppelin IV (1971)

Década de 80
Guns n’ Roses – Appetite For Destruction (1987)
appetite-for-destructionNa década de 80, com o surgimento da MTV, a imagem foi tomando cada vez mais importância para as bandas. Altos valores eram investidos em videoclipes e, consequentemente, os shows começavam a ter mais e mais apelo visual, muitas vezes com as bandas esquecendo da qualidade musical, apostando mais no que as pessoas viam e não no que escutavam. O hard rock virou o glam rock, em que bandas cada vez mais maquiadas e com roupas mais chamativas tomavam de assalto por onde passavam. Van Halen, Mötley Crüe, Poison, Ratt, o próprio Ozzy Osbourne (agora em carreira solo após sair do Black Sabbath) eram ótimas bandas que usavam também o visual como forma de promoção. Até que apareceram 5 caras sujos e problemáticos, que viviam em condições péssimas, prontos pra gritar até serem escutados, seja lá por quem, ou o que teriam que fazer para isso acontecer. O Guns N’ Roses lançou seu disco de estreia em 1987, o perfeito (meu disco favorito, por sinal) “Appetite For Destruction”. Sou suspeito pra falar porque considero esse um marco absoluto na história da música. Cinco jovens que viriam a ser considerados a banda mais perigosa do planeta se uniram e lançaram um álbum que viria a ser um dos mais vendidos (mais de 30 milhões de cópias no mundo todo) e influentes da história do rock. Muitas bandas que usavam e abusavam da maquiagem, após ver o sucesso dos caras sujos e malvados, acabaram por mudar seu visual, apostando em algo mais urbano, como foi assim definido. A verdade é que não dá pra apontar uma música só, o álbum vai se completando a cada faixa que termina e outra que começa. É cru, é rápido, é sujo e é tudo que as pessoas vinham pedindo de uma banda de rock e que faltava no mainstream. O GNR viria a se deteriorar por causa de seus próprios membros, mas a história já havia sido feita ali, em Los Angeles, quando essa pérola foi gravada.

Menções honrosas:
The Clash – London Calling (1980)
Bruce Springsteen – Born In The USA (1984)
Prince – Purple Rain (1984)
David Bowie – Let’s Dance (1983)

Década de 90
Nirvana – Nevermind (1991)
nirvanaNa década de 90, o pop ganhava ainda mais força. As bandas de hard rock iam perdendo espaço, até que então, o grunge apareceu. Vindo de Seattle, algumas bandas já haviam ganhado certo destaque nos EUA, mas tudo estava prestes a mudar. Kurt Cobain e Krist Novoselic formaram o Nirvana alguns anos antes e lançaram o primeiro álbum da banda, “Bleach”, em 1989, ganhando certa notoriedade e fazendo turnês inclusive fora do país. Mas em 1991, um novo capítulo do rock estava para ser escrito. Junto com o seu novo baterista, Dave Grohl, rapaz de Washington e ex-Scream, gravaram o seu maior sucesso até hoje e um clássico instantâneo chamado “Nevermind”. Com a produção de Butch Vig e pouca pretensão até ser lançado, o disco se tornou sucesso absoluto. Tendo seu carro-chefe “Smells Like Teen Spirit” sendo rodado à exaustão na MTV e nas rádios, o Nirvana já era uma realidade, o que é curioso, visto que eram 3 caras que pouco ligavam para o sucesso, só queriam fazer seu barulho. Talvez essa atitude tenha instigado ainda mais as pessoas, fazendo com que o sucesso dobrasse de tamanho a cada novo single e entrevista do grupo. Todos sabem que Kurt viria a falecer em 1994, mas a partir daquele momento já estava eternizado no hall de grandes compositores e lendas do rock. Mais um exemplo de álbum que não consigo destacar uma ou duas ou cinco faixas, tem que ser absorvido como um todo. Particularmente, considero o sucessor, “In Utero”, um álbum mais coeso e maduro do que o clássico com o bebê nadando na capa, mas não há como negar que, se existe um disco que representa a década de 90, esse disco é o “Nevermind”.

Menções honrosas:
Pearl Jam – Ten (1991)
Metallica – Metallica (1991)
R.E.M – Automatic For The People (1992)
Oasis – (What’s the Story) Morning Glory? (1995)

Década de 00
The Strokes – Is This It (2001)
is this itO começo do século foi um pouco difícil, assim como os anos seguintes, para o rock. As grandes bandas ou viviam do passado ou lançavam álbuns que não faziam jus à sua história e muitos davam o rock como morto. Agora, o pop já era a maior força na mídia com suas boybands, girlbands e tudo mais que acompanhava, e o rock precisava de um empurrãozinho para voltar firme e forte. E, assim, em 2001, apareceram 5 garotos de cabelo sujo vindos de Nova York que atendiam pelo nome de The Strokes. Formado em 1998, a banda, liderada por Julian Casablancas, já surgiu como a “salvação do rock” graças a uma publicação da revista The FADER. Com o seu álbum de estreia lançado em outubro de 2001, os caras já atingiram o status de estrelas, assim, da noite pro dia e isso não foi de todo mal. Foi um sucesso comercial desde o primeiro dia de vendas e também um sucesso de crítica, sendo muito bem avaliado por grandes veículos ao redor do globo. Claramente influenciado por Velvet Revolver e Television, o álbum envelheceu bem. Hoje em dia me agrada mais do que na época. Uma pena que os rapazes não conseguiram manter a pegada nos lançamentos seguintes, mas “Is This It” com certeza marcou uma época, com seu impacto imediato sendo possível de ser notado em tantas bandas “parecidas” (para não dizer “replicadas”) que surgiram a partir dali. Em uma década que, pouco mais tarde, foi tomada pelo new metal e suas bandas de qualidade duvidosa, realmente o The Strokes deixou um marco positivo logo em sua estreia e até hoje músicas como “Last Nite”, “New York City Cops” e “Hard To Explain” podem ser ouvidas e dançadas na maioria das baladas alternativas que a noite (pelo menos a paulistana) oferece.

Menções honrosas:
The Libertines – Up The Bracket (2002)
The White Stripes – White Blood Cells (2001)
Arctic Monkeys – Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not (2006)
Queens of The Stone Age – Songs For The Deaf (2002)

EuclidesPor Clids Ursulino. 29 anos. Música, cinema, futebol e política. E o que mais aparecer entre um café e outro.

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