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A Economia Criativa gera desenvolvimento de novas oportunidades

Música 18/12/13 - 10h Cult Cultura

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No final do mês de outubro, nossa editora e sócia da Cult Cultura, Thais Polimeni, deu uma entrevista sobre Economia Criativa para um estudo realizado pelo estudante de Jornalismo Weslley Silva Neto.

A matéria é publicada, na íntegra, aqui no site, para todos os leitores. Confiram:

A Economia Criativa gera desenvolvimento de novas oportunidades
Entenda como fazer parte da tendência das empresas mundiais, levando seu próprio negócio ao interesse de vários públicos

A relação entre gastos, produção e serviço nunca esteve tão em evidência como nos dias atuais. As empresas se desdobram para oferecer novidades aos clientes, sem deixar de lado o cunho social, comercial e ambiental. Por isso, a “Economia Criativa” aparece como grande alternativa para todo empreendedor, estando diretamente relacionada com a criação, planejamento, produção, distribuição e divulgação de produtos e serviços, tendo como origem o capital intelectual, a criatividade, nível de conhecimento e recursos materiais disponibilizados.

Esta economia surgiu inicialmente na Austrália, mas foi o inglês John Howkins quem definiu o conceito ao estudar, a pedido do governo britânico, algumas regiões da Inglaterra que tinham um alto desenvolvimento. Curiosamente, essas regiões agregavam manifestações artísticas, equipamentos culturais e empresas criativas em geral. Howkins diz que o estudo é um elemento chave para o surgimento de novas ideias: “O estudo é mais importante e está crescendo mais do que a educação, que é compulsória e tem limite de idade. Quando você para de estudar, você morre. Costumo proliferar a seguinte fórmula: Criatividade = Estudo + Adaptação das ideias“.

Thais Polimeni tem 28 anos e é sócia-diretora da empresa Cult Cultura Marketing. No dia 11 de Novembro, ela ministrou uma palestra sobre Economia Criativa na Universidade Federal do ABC (UFABC) e explica o conceito deste segmento: “É tudo que gera renda a partir de atividades que utilizam a criatividade. Há diversos exemplos práticos de Economia Criativa”.

Um desses exemplos é o caso de Neilton. O pequeno empresário de 35 anos fundou em Recife (PE) a Altovolts (empresa produtora de instrumentos musicais). O músico e seus amigos perceberam que não havia no mercado bons amplificadores que chegassem perto da eficiência alcançada por bandas famosas nos LPS: “Meus três colegas envolvidos são músicos e tinham as mesmas dificuldades com os equipamentos, então juntamos forças e passamos a fazer uns modelos para nós mesmos. As pessoas que iam assistir aos shows elogiavam a sonoridades e ficavam perguntando quais amplificadores e caixas eram aqueles que estávamos usando. Respondíamos que tínhamos construído. E assim nasceu o interesse dos músicos profissionais da cidade (Recife) em ter um Altovolts e a ideia virou marca. Hoje atendemos a todo território nacional”.

Neilton também conta como foram os primeiros momentos com seu próprio negócio: “Nos primeiros seis anos seguimos sozinhos, aprendendo na marra, no dia-a-dia. Depois, em 2011, nosso amigo Leonardo Salazar, consultor do SEBRAE, nos mostrou o livro que ele havia lançado chamado Música LTDA. E surgiu a ideia que nos formalizássemos como microempreendedor individual, pois assim podíamos nos organizar melhor, conseguir fazer compras como empresa, conseguindo preços melhores para acessórios e componentes, entre outras vantagens”. Os materiais utilizados nos equipamentos de som são reutilizados de instrumentos quebrados. Por isso, a Altovolts é considerada referência em Economia Criativa e sustentabilidade.

No Brasil, a Economia Criativa está intimamente ligada às áreas artísticas e culturais. Como estamos no começo dos estudos nesse tema, é natural que essas áreas sejam as mais focadas, pois a criatividade é um item fundamental aos profissionais das Artes e da Comunicação. Na Austrália, que está estudando isso há alguns anos a mais que nós, a Economia Criativa já tem sido ampliada para outras áreas, como a saúde, por exemplo”, explica Thais.

Pontapé inicial
São muitas áreas que podem estar envolvidas na Economia Criativa. Alguém pode fazer Direito, por exemplo, se especializar em Direito do Entretenimento e atuar na Economia Criativa. Emily Firmino é gerente do restaurante Hatemaky, na cidade de São Roque. Seu negócio é um exemplo de que a Economia Criativa pode ser aplicada em qualquer área. “Nosso restaurante faz pequenas apresentações culturais (música, teatro), e possui uma sala exclusiva para casais. Também melhoramos o atendimento com um garçom para cada mesa, e a música ambiente é nacional, mesmo sendo um restaurante japonês

Para ingressar em um projeto economicamente criativo, alguns passos são extremamente importantes. O primeiro deles é entender a necessidade do seu público-alvo. Não se preocupe com o poder aquisitivo deles, pois dependendo da importância do seu produto, o lucro é uma mera consequência. A segunda etapa é planejar o processo, pesquisar e colocar do produto no mercado. Pense num produto simples e viável, que possa ganhar escala. Com a ideia, é possível criar um protótipo para avaliação do público. Com a internet, os meios de divulgação alcançam diversas pessoas. O retorno dado pelos usuários é fundamental para a melhora do seu produto final.

Entram em questão as pesquisas de campo: Converse com as pessoas, veja qual o impacto e a utilidade que o seu produto gera em pequenas populações. Números são fundamentais para elaborar uma estratégia eficaz com a sua equipe. Por fim, é importante participar ativamente da administração de seu negócio para ficar por dentro de tudo que cerca a sua ideia. Cursos complementares de gestão podem ser muito úteis.

Thais dá um exemplo de programa que pode ajudar pessoas que desejam colocar sua ideia em prática: “No site do Ministério da Cultura (cultura.gov.br), frequentemente há divulgação de eventos promovidos pela Secretaria da Economia Criativa e seus parceiros, além de ser possível fazer o download do Plano da Secretaria da Economia Criativa”. O SEBRAE também auxilia pequenos empreendedores, além de cursos focados na área proporcionados pela Escola São Paulo.

O proprietário da Altovolts dá um conselho pra quem deseja tirar o seu plano do papel: “Se você acha que tem uma boa ideia, tente fazê-la, mesmo que alguns te digam que não vai dar certo. Mas seja prudente, respeite o outro e tenha paixão no trabalho que o resultado vem naturalmente!”.

Weslley Silva Neto, estudante de jornalismo da FAPCOM (Faculdade Paulus de Comunicação)

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