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A influência do jazz na música Caribenha – Parte 1

Música | Victor Fão 05/08/13 - 10h Victor Fão

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O começo na Jamaica
Antes de começar, peço desculpas pela ausência nas últimas semanas. Sabe como a vida é, trabalho, mil bandas e as coisas acabam empacando, por isso não consegui escrever nada nesse período. Porém, dessa vez vai ser especial. Hoje começo a série dividida em 4 partes sobre a influência do jazz na música caribenha, e para começar em grande estilo, vamos falar da Jamaica.

A gente sabe que o Caribe sempre foi uma potência musical, ritmos como mento, calypso, salsa, cumbia, ska e o reggae, (esse último talvez o mais famoso mundialmente graças ao “semi-Deus” Bob Marley), marcaram a região e a colocaram no mapa da música, influenciando todos os outros ritmos. Porém, por trás de tudo isso, houve uma grande influência do jazz e do soul na música caribenha e é sobre isso que falaremos hoje.

No ano passado, tive a honra, benção e o prazer de ir para Jamaica em uma turnê com minha banda, o Ba-Boom. Tocamos no Ocho Rios Jazz Festival, que acontece anualmente há 23 anos, com o intuito de manter a música ao vivo viva e circulante na Jamaica. Naquele ano, o Festival comemorava os 50 anos de independência do país e fomos a primeira banda brasileira a participar do Festival. Para saber mais como foi, assista ao documentário sobre a turnê, lançado agora em julho:

Esse Festival é muito parecido com o Festival do Bourbon que acontece em Paraty, ou com o Festival de Rio das Ostras, entre outros que ocorrem na praia, em cidades turísticas. Essa vivência foi maravilhosa e entre todas outras que nos marcaram, teve uma que mostrou para mim coisas que eu nunca havia tido contato: uma palestra sobre Jazz Jamaicano e como os jamaicanos absorveram essa influência e a transformaram na música poderosa que conhecemos hoje. No dia a dia o povo do Caribe já é, por si só, musical, já fazem música ao falar, e em duas músicas tradicionais, mento e o calypso, já conseguimos ver claramente as raízes do reggae e ska, com o baixo (ou a rumba box no caso) marcando junto com o bumbo, o violão batendo no contra tempo, características típicas da música jamaicana.

Graças ao jazz na Jamaica, temos hoje o ska, o reggae e o dub, e graças ao dub existe o hip hop e outros sons. Mas além desses ritmos que conhecemos, existiram artistas que incorporaram mais ainda o jazz em suas canções.

Recentemente conheci o trabalho do trombonista Carlos Malcolm, um gênio do jazz e do trombone caribenho. Era parceiro de estudos de Don Drummond, o trombonista e principal compositor dos Skatalites, que morreu ainda jovem, de uma história meio maluca, papo para outro texto. Carlos Malcolm, com a sua banda, “Os Afro Jamaican Rhythms”, fez dessa influência algo acima do jazz, um ska poderoso, cheio de percussões, e com um sopro matador. Ele consegue usar os ritmos africanos, o soul, o jazz e misturar tudo isso, colocando o tempero caribenho. Se liguem nesse som que mostra tudo isso:

Bom, se continuarmos na Jamaica, vai ter pelo menos 1 ano de textos, e eu ainda não conseguirei falar tudo. É muito louco ver que um país pequeno, cheio de problemas políticos e uma pobreza gigante, consegue ser essa potência musical gigantesca. Na semana que vem, falarei mais um pouco sobre a Jamaica, um pouco de ska e rocksteady. E para entender e conhecer mais, recomendo o blog You & Me on a Jamboree. Esses caras são grandes conhecedores da música da Ilha.

Até a próxima!

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Victor Fão

Victor Fão

Trombonista e Artista Gráfico, Victor Fão é formado em Publicidade pela Universidade Mackenzie e atualmente estuda música. Acha que a arte, principalmente a música, tem que ter cor, cheiro, sabor, toque, trazendo sensações e referências mundanas. Acredita nas relações humanas, no potencial da troca de ideias em um bar, de passar o dia em estúdio produzindo e em tomar um solzinho no quintal. Urbano convicto, faz tudo a pé ou de busão.

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