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A Nova Cara Do Rock

*Destaque-Home | Música 13/07/18 - 11h Cult Cultura

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Entra ano e sai ano, o papo é sempre o mesmo: o rock morreu. Aquele fã de AC/DC e Metallica vem dizendo isso desde os anos 80 e das bandas de hard rock que abusavam do laquê. Mas de tanto falar que o rock morreu, ele pode, de fato, morrer de verdade? Se é o rock, como potência do mainstream, que comandava as músicas mais ouvidas no mundo, sim, provavelmente ele morreu mesmo. E isso é ótimo! O rock, como ele é/era, precisava mesmo “morrer” para que novas caras e novos sons dentro do gênero pudessem aparecer.

Sejamos sinceros: eu sou um grande fã de bandas clássicas, como Metallica e Iron Maiden, mas, de coração, qual foi o último lançamento realmente acima da média desses gigantes e de outras grandes bandas como Deep Purple, Aerosmith, Bon Jovi e o próprio AC/DC? E os shows? São os mesmos, revivendo e revisitando o passado, ano após ano. As últimas grandes bandas que apareceram, como Foo Fighters e Arctic Monkeys, não agradam os roqueiros mais tradicionais. O The Strokes, que já foi dado como a salvação do rock (algo que eles não são e que o rock não precisa), acabou por se implodir diversas vezes, dando espaço para seus integrantes lançarem projetos (às vezes muito bons, como o “The Voidz”, do vocalista Julian Casablancas) que também não são tão bem recebidos pelo público.

Mas, mesmo dentro de toda essa crise, o rock continua forte, do jeito que deveria ser: no circuito mais alternativo do gênero. Com a internet e um pouquinho de vontade, você consegue encontrar 10 bandas, no mínimo interessantes, para acompanhar. E essas 10 bandas podem trazer mais 10 bandas que vão trazer outras 10 bandas e assim por diante. Algo que dá tantos novos artistas e grupos, que mostram o rock nunca vai morrer, apenas se reinventar. Para celebrar o dia internacional do rock, vamos trazer 10 bandas que podem trazer o gênero para os holofotes novamente. Ou não, tanto faz. O rock nunca precisou de holofote para se tornar o que é:

1 – Car Seat Headrest
Criado na Virginia em 2010 de modo totalmente independente pelo músico Will Toledo, o Car Seat Headrest é uma das bandas mais badaladas dos últimos tempos no gênero. Nascido da ideia de Toledo de colocar o máximo de músicas na internet no menor tempo possível, o projeto já conta com 11 álbuns de estúdio no currículo, 8 de forma DIY e 3 lançados pela Matador Records, gravadora independente que, desde 1989, traz muita coisa legal para o grande público do indie. Twin Fantasy, lançado em 2018, é uma releitura do trabalho de mesmo nome lançado em 2011 e é considerado por diversos veículos especializados como um dos melhores álbuns do ano, mesmo o ano tendo passado só agora de sua metade.

2 – Japandroids
O duo canadense Japandroids, formado em 2006 em Vancouver, pode ser um daqueles novos atos que pode agradar tanto os fãs mais tradicionais do gênero como os apreciadores da nova leva de roqueiros que vem saindo por aí. Após 3 anos inativos, em 2017 os caras lançaram o terceiro álbum, intitulado Near to the Wild Heart of Life, que foi muito bem recebido pela crítica e pelos fãs de garage rock. Gravado totalmente pela dupla Brian King e David Prowse, o disco não precisa de baixo para soar pesado e agressivo. Esse ano, a dupla lançou uma cerveja em parceria com a Goose Island e toda a renda gerada será doada para a RAINN, a maior organização anti-violência sexual norte-americana e uma das maiores do mundo.

3 – Mom Jeans
Uma das mais celebradas bandas da nova geração do emo, a Mom Jeans é um quarteto formado em Berkeley, California. Seu primeiro álbum, Best Buds, foi lançado em 2016, de forma totalmente independente e foi um sucesso instantâneo entre os amantes do emo. O melhor desse álbum é como tudo soa em perfeita harmonia. Cada camada sonora está no seu devido lugar e você, gostando ou não de emo/indie, vai ter que admitir que os caras sabem muito bem o que estão fazendo. Com o buzz gerado por esse lançamento, a banda, agora integrante da Counter Intuitive Records, gravadora independente de bandas como Graduating Life e Prince Daddy & The Hyena, acabou de lançar Puppy Love, seu segundo álbum de estúdio e primeiro a ser lançado diretamente com apoio da gravadora.

4 – Deafheaven
Formado em 2010, o Deafheaven, apesar de pouco tempo em atividade, já tem postura de veterano. O grupo de post-metal e blackgaze, gêneros que passeiam pelo shoegaze e pelo black metal, escolheu hoje, o dia internacional do rock, para lançar o seu quarto álbum de estúdio, “Ordinary Corrupt Human Love”, que vem apoiado por singles como Honeycomb e Canary Yellow. Uma das minhas novas bandas preferidas, o Deafheaven veio ao Brasil em 2016 para um show inesquecível na finada Clash Club (RIP para uma das casas mais legais de SP). Na época em suporte ao ótimo New Bermuda, os caras mostraram por que são figurinhas carimbadas tanto em festivais de metal como de música alternativa, com um show extremamente redondo que agradou até quem estava ouvindo a banda pela primeira vez. Caso goste de Deafheaven, recomendamos também as ótimas Oathbreaker e Birds In Row, ambas da gravadora Deathwish Inc., de Jacob Bannon (vocalista da já lendária banda de metalcore Converge).

5 – Protomartyr
Diretamente de Detroit, o quarteto de post punk Protomartyr é formado por Joe Casey, Greg Ahee, Alex Leonard e Scott Davidson. Com 4 LPs em seu catálogo, incluindo Relatives in Descent, um dos melhores discos de rock de 2017, a banda só ganha mais e mais reconhecimento com o seu som que vai do gótico ao art rock com uma facilidade e uma fluidez que a gente não vê todos os dias em bandas com tão pouco tempo de existência. A banda atualmente está em turnê pela Europa em apoio ao seu último trabalho de estúdio.

6 – Iceage
ICEAGEOs dinamarqueses da Iceage estão em atividade desde 2008, mas só fui conhecer o post punk dos caras em 2018, quando me mandaram Beyondless, trampo lançado em maio. O punk misturado ao noise rock da banda me fez buscar mais e não me arrependi. Extremamente competentes e criativos dentro do seu gênero, o Iceage tem potencial para ser uma das grandes bandas dos próximos anos, seja lá o que ser uma das grandes bandas significa hoje em dia, na era da internet.

7 – Joyce Manor
Mais uma banda vinda da Califórnia, a Joyce Manor é uma das maiores bandas de punk rock/emo da atualidade. Com 10 anos de estrada e 4 álbuns no currículo, o quarteto liderado por Barry Johnson é assinado da Epitaph Records desde 2014, o que na época não foi a melhor notícia para os fãs, que se preocupavam que a banda fosse perder sua essência, já que a Epitaph é aquele caso de gravadora independente, mas com pensamento de grande gravadora. O que era um receio rapidamente se tornou um alívio com o lançamento do ótimo Never Hangover Again, terceiro álbum e primeiro pela Epitaph. Em 2016, a banda lançou seu último álbum de estúdio, também via gravadora, chamado Cody e, ao que tudo indica, o quinto pode sair a qualquer momento de 2018.

8 – Beach House
O duo de dreampop formado pela tecladista e vocalista Victoria Legrand e pelo guitarrista e tecladista Alex Scally foi formado em 2004 na cidade de Maryland. O Beach House é responsável por um dos melhores lançamentos de 2018: “7”, o sétimo álbum de estúdio da dupla. Descrito pela dupla como um trabalho conceitual baseado na insanidade social, 7 reflete sobre os problemas, as pressões e as condições impostas pela sociedade às mulheres, no passado e no presente, como também sobre o glamour e seus prós e contras. A sensibilidade das letras aliada à maestria dos acordes torna esse álbum um dos lançamentos mais legais do dream pop, gênero que vem ganhando mais e mais bandas e seguidores nos últimos anos, como o Turnover e Soccer Mommy, outros dois grandes expoentes do dream pop.

9 – Haim
HAIMFormado pelas irmãs Danielle, Este e Alana, o trio Haim recebeu grande destaque em 2013 com o lançamento do EP Forever e consolidou, com o debut Days Are Gone, sua posição entre as maiores promessas do rock. Vindas de uma casa extremamente musical, as garotas dominam seus instrumentos desde pequenas. Danielle Haim, inclusive, já fez parte da banda solo de Julian Casablancas, antes de largar o posto para formar o trio com suas duas irmãs. O último lançamento recém completou 1 ano e é intitulado Something To Tell You.

10 – Beach Slang
O grupo de punk rock (ou pop punk, se você se importar muito com essa coisa de rótulos) Beach Slang, liderado por James Alex, existe desde 2013 e já conta com 2 lançamentos com esse nome e um como “Quiet Slang”, pseudônimo que Alex usa quando faz apresentações solo. Fortemente influenciado pelo Afghan Whigs e pelo Replacements, o Beach Slang possui a mesma urgência de seus possíveis ídolos no som e a mesma capacidade de fazer dançar também.

Veja abaixo a playlist com o som dessas 10 bandas pra você curtir o Dia do Rock como se deve:

Euclides

Por Clids Ursulino. 30 anos. Música, cinema, futebol e política. E o que mais aparecer entre um café e outro.

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