Fechar Menu [x]
Novos Posts

#ApostaCult: Banda Marvins é idealizadora do festival Rock in Rollstel

APOSTACULT | Leonardo Cássio | Música 16/04/15 - 09h Leonardo Cassio

marvins-cd-banner

Engrenar na indústria da música nunca foi e nunca será trabalho fácil. Tem que arregaçar as mangas, engolir muito sapo e tocar muito na noite. Pelo menos esse é o caminho que a maioria dos músicos e bandas percorrem. Não é diferente com os Marvins.

A banda paulistana formada em 2013 conta com Paullo Mart (Voz, guitarra, gaita, ukulele e violão), Cadu Medeiros (Voz, guitarra, violão, escaleta e teclados), Emerson Araujo (Baixo) e Mario Maia (Bateria). “Ser ou ter?” é o primeiro disco da banda. Com 15 faixas, a banda percorre a noite da Grande São Paulo para alavancar o projeto autoral, emendando, com as apresentações, covers comuns neste trajeto. Influenciados pelo rock brazuca e internacional, os Marvins conceituaram o interessante festival “Rock in Rollstel”, que acontece em hostels pela capital paulista e que conta sempre com 4 bandas que apresentam trabalho autoral. Além disso, após participarem do programa “Temos Vagas”, da Rádio Rock 89 FM, foram convidados para tocar no aniversário de São Paulo com outras 30 bandas.

Nesta entrevista, o frontman Paullo Mart conta sobre a carreira da banda, o cenário musical e outras curiosidades que permeiam os Marvins:

[CULT CULTURA | Leonardo Cássio] Paullo, fale um pouco sobre como começaram os Marvins e desde quando você é envolvido com música, além de suas influências.
[PAULLO MART] O projeto foi idealizado pelo meu irmão Cadu e por mim há quase dois anos. Nossa proposta era juntar, num disco, as canções que escrevíamos e lançar enquanto banda. Minha história na música sempre esteve atrelada à presença do meu irmão. A gente começou tocando violão na sala de casa quando pequenos e tivemos diversos trabalhos com música até formarmos os Marvins. Na década de 90, naquela sala de casa já rolava muita coisa no toca-discos dos nossos pais e o que mais me lembro é de ouvir Raul Seixas. Os interesses da gente se expandiram e posso dizer que temos gostos parecidos. Além do Raul, dá pra fazer uma lista enorme de influências: Beatles, Queen, Tim Maia, Mutantes, Titãs, Legião Urbana, Nirvana…

[CULT CULTURA | Leonardo Cássio] Uma das principais etapas na carreira de uma banda é conseguir gravar o primeiro álbum. “Ser ou ter?” foi realizado em um ano e meio de carreira. Como foi a idealização e produção do disco, reforçando para os leitores as principais dificuldades?
[PAULLO MART] Desde que nos sentamos pra por em prática o que tínhamos escrito, notamos o quão difícil seria concretizar. A dificuldade financeira é aquela mais comum que toda banda independente enfrenta. Musicalmente falando, encontrar um fio condutor de sonoridade e conceito é o maior desafio, sem contar que tem que ser um produto que te representa enquanto pessoa e artista, a famosa identidade. Nossa filosofia é poder atingir quem nos ouve e, de alguma forma, provocar e produzir inquietações por meio do nosso som e da nossa letra. Pra isso, tem que rolar muito suor na hora de criar. Mas é aquele tipo de desafio que move. É o tempero de todo o processo.

marvins-capa-cd[CULT CULTURA | Leonardo Cássio] As 15 letras de “Ser ou ter?” são suas e do Cadu. Como está sendo esse processo de formação de público para assimilação do trabalho autoral de vocês e como vocês equilibram as apresentações covers, tão necessárias para quem está começando e, ao mesmo tempo, tão desgastante quando se quer apresentar algo próprio?
[PAULLO MART] É um pouco do que disse na questão anterior. Não queremos fazer música pra gente, somente. A gente tem o que falar e primamos por falar sobre coisas vitais à vida de qualquer paulistano, brasileiro, ser humano. Percebemos, desde que lançamos “Ser ou ter?” que houve muita identificação. A galera tem elogiado muito nossas letras. Criar essa empatia é a chave pra podermos expandir nosso trabalho e acredito que o caminho vem sendo trilhado.

Quanto aos covers, é bem isso mesmo, a gente gosta de tocar, também, mas não é o que queremos. A maioria das casas noturnas só trabalha com bandas covers. A gente pega esse tipo de trampo pra entrar grana no caixa e, assim, fazer girar o trabalho autoral. O bacana é que sempre tocamos músicas autorais nesses shows, também.

[CULT CULTURA | Leonardo Cássio] Por ser uma banda nova, vocês possuem uma relação próxima com a internet e com essa nova forma de fruição e consumo da música, ao contrário de bandas que começaram lá pelos anos 90. Como vocês entendem essa reordenação da indústria fonográfica e como lidam no dia a dia com a internet?
[PAULLO MART] É positiva. Temos possibilidade de lançar o trabalho com baixo custo. Claro que há um inchaço, porém, como em qualquer mercado, o que há de melhor permanece, mas precisamos brigar, no bom sentido, pra garantir nosso espaço… Atualmente, alimentamos nossas redes sociais com agenda, vídeos, novidades e temos a internet como matriz de contato com a galera que curte nosso som.

[CULT CULTURA | Leonardo Cássio] Fale um pouco sobre a experiência com a 89 FM, uma importante vitrine para quem está começando neste segmento.
[PAULLO MART] Foi uma exposição ótima. Não imaginávamos que, em meio a quase 1.300 bandas, ficaríamos entre as 3 mais votadas. Sem contar o convite feito pela rádio pra tocarmos no aniversário de São Paulo. Cerca de 1.500 pessoas viram nosso show e percebemos o potencial que o Rock’n’roll tem. Há muita gente interessada em coisa nova. Cabe a nós corresponder e levar o conteúdo que essas pessoas precisam. Nesse aspecto, ter nosso som veiculado numa rádio como a 89 e participar de um evento com tamanha grandeza viabilizou essa aproximação.

[CULT CULTURA | Leonardo Cássio] A ideia do “Rock in Rollstel” é muito boa. Quantos eventos já foram feitos, quantas bandas participaram e quais resultados os Marvins obtiveram?
[PAULLO MART] Obrigado! A segunda edição acontece no próximo dia 9 de maio. Assim como na primeira edição, teremos a participação de 4 bandas. O melhor de tudo é que além do público hospedado no dia lá no Hostel conhecer o trabalho autoral de quatro bandas novas, podemos intercambiar os públicos, ou seja, o público que vai pra ver o nosso show, consequentemente escuta outros 3 novos trampos. Uma tarde agradável num ambiente totalmente acolhedor. Parece que reunimos os amigos na casa de alguém pra fazer um som. O que torna o evento ainda mais atraente.

[CULT CULTURA | Leonardo Cássio] Como você enxerga o cenário musical alternativo para bandas de Rock como vocês? Há muita coisa interessante ou está meio estagnado?
[PAULLO MART] Vejo que as coisas estão acontecendo pra quem faz Rock autoral. Há pouco tempo tivemos a oportunidade de conhecer algumas bandas do Rio de Janeiro e, desde então, acompanho mais de perto a cena de lá. Posso dizer que está incrível. Diversos festivais e shows organizados pelas próprias bandas com um público faminto por música nova e louco pra escutar Rock de qualidade. As bandas trazem materiais muito bons, independente de sua origem. Inclusive, na segunda edição do Rock in Rollstel teremos a participação da banda Cândido, do Rio de Janeiro.

Também é interessante ver que há empresas que valorizam o trabalho autoral. Com pouco mais de um ano de banda, por exemplo, fomos convidados para tocar em um projeto da marca Emme, do mercado da moda. Foi nossa primeira experiência numa campanha de marketing. É um reconhecimento de peso enorme. Foi como ganhar um campeonato sendo o time mais zebra da competição (risos). Incrível!

marvins[CULT CULTURA | Leonardo Cássio] Além de música, o que mais te inspira?
[PAULLO MART] As pessoas. Acho que a matéria-prima das nossas canções é o próprio ser humano. As adaptações da gente em meio a tantas mudanças, as mudanças que temos em meio a tantas adversidades. As maneiras de pensar, de agir de diferentes coletivos. Nossa cidade também é bem inspiradora. Quantas vezes já escrevi diversas coisas depois de uma saída noturna pela capital? Um monte. Questionamentos internos também me levam a escrever. Esses são mais complexos de virar música (risos). Quando a gente fala da gente é mais difícil (risos). Embora eu ache prazeroso e necessário se rever, se questionar…

[CULT CULTURA | Leonardo Cássio] O que é música para você? O que significa viver de arte?
Música é meu combustível e minha melhor terapia. Viver do que mais gosto é um privilégio. Ter a liberdade de fazer o que se gosta é um bem preciosíssimo. Acredito que se as pessoas vivessem do que realmente amam o mundo seria muito melhor. A gente precisa de prazer. Os problemas ficam irrelevantes e tudo à nossa volta fica mais belo.

[CULT CULTURA | Leonardo Cássio] Preciso perguntar: de onde saiu a ideia de tocar Ukulele?
[PAULLO MART] Não lembro a primeira vez que ouvi ou vi um Ukulele, pra falar a verdade (risos). Só sei que adorei o som vindo de um instrumento pequeno e simples. Meu irmão e eu temos essa curiosidade por coisas novas e, se eu tinha comprado e aprendido gaita anos antes, eu precisava explorar o Ukulele. Depois que comprei e aprendi a tocar pensei: “Preciso colocar isso na nossa música”.

Veja abaixo o clipe oficial de “Em paz”, dos Marvins:

Para conhecer mais, acesse:
Facebook: www.facebook.com/oficialmarvins
Instragam: www.instagram.com/oficialmarvins
Youtube: www.youtube.com/oficialmarvins
Loja oficial: www.lojamarvins.com.br

Tags: , , , , , , , , , , , ,

COMPARTILHE ESTE POST

COMPARTILHE

COMPARTILHE

Leonardo Cassio

Leonardo Cassio

Sócio-diretor da Carbono 60 - Economia Criativa, Leonardo Cassio é publicitário, jornalista e amante da sétima arte. Lê de mangá a física quântica e tem uma tatuagem do Pearl Jam.

RELACIONADOS

Os comentários estão desativados.