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Bob Dylan Brasileiro

Música | Victor Fão 21/06/13 - 11h Victor Fão

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O pessoal do Cult Cultura, amigos de longa data, me convidou para escrever essa coluna semanal que vai falar principalmente sobre música e os diversos assuntos ligados a ela.

Pra quem não me conhece, sou o Victor Fão, mais conhecido como Fão, mas pode me chamar como quiser. Sou trombonista do Ba-Boom, banda de música jamaicana/brasileira do ABC Paulista (conheça mais em www.projetobaboom.com.br) toco também com o Bá Kimbuta e em alguns outros eventuais projetos musicais.

Começando do começo, conto a vocês minhas primeiras relações com a música. Pai, rockeiro convicto, ouvia muito Pink Floyd, Beatles e Led, e tinha uma boa coleção de discos (felizmente, são todos meus hoje). Mãe, uma apaixonada por música brasileira, estudou piano quando criança e gostava muito dos clássicos brasileiros como Caetano, Chico e Gil… nós passávamos as tardes cuidando da casa, pirando e dançando ao som de spyro giro do Jorge Ben.

Tive a fase rock, a fase metal, a fase punk hardcore (duradoura), a fase hippie paz e amor, a fase regueiro, a fase psicodélica, e todas as fases culminaram em quem sou hoje.

Resumidamente esse sou eu, mas não é de mim que essa coluna falará né? Falemos de música, então. Um cara que sempre fez sucesso na minha casa, desde que era garotinho, foi o grande mestre Belchior (o cara foda) e é sobre ele que falaremos hoje.

Belchior, o cara que escreveu “Como Nossos Pais”, “Velha Roupa Colorida”, entre outros clássicos cantados por Elis Regina. Belchior, o cara que recentemente foi pauta do “Cansastástico”, que mobilizou o Brasil à sua procura, ídolo nos anos 70 e que devia não sei quantos mil para sei lá quem e estava escondido em algum lugar. “Please, leave Belchior alone”. Belchior, esse poeta gênio da música brasileira e uma das minhas principais influências musicais e poéticas

Belchior nasceu em Sobral, no Ceará. Seu pai era saxofonista, sua mãe cantava no coral de igreja, e ele desde pequeno já animava as feiras da cidade com poesia e repentes, que imagino que já eram “envenenados”, como são as suas músicas.

Se existe alguém que compreenda e saiba falar do cotidiano de uma forma clara, simples, direta e humana, esse alguém é Belchior. Duas músicas, pra mim, que demonstram isso muito bem são “Alucinação” e “Caso Comum de Trânsito”. A primeira é faixa título de seu segundo álbum, lançado em 1976. Nessa canção, ele entoa frases como “Amar e mudar as coisas me interessa mais” e “ a minha alucinação é suportar o dia a dia e meu delírio a experiência com coisas reais”. Ouçam a música e entenderão mais do que estou falando, é visceral e ao mesmo tempo é a completa realidade urbana, nos deixando com uma sensação boa de querer mudar o mundo, sabendo que a mudança tem que partir de nós mesmo. Na segunda canção, “Caso Comum de Trânsito” (não tão famosa), com apenas 3 acordes ele descreve um acidente de trânsito, a vida de um amigo e de sua namorada, algo corriqueiro, simples, porém carregado de sentimentos, no melhor estilo Belchior de cantar e tocar.

Belchior ficou famoso quando veio a São Paulo junto com outros artistas do Ceará (Fagner e Ednardo, por exemplo) e gravaram uma coletânea. Porém Belchior recebeu o reconhecimento merecido quando Elis Regina gravou duas músicas suas em seu maravilhoso disco Falso Brilhante. Nesse momento, a carreira de Belchior deslanchou. Ele, que já havia ganhado prêmios como compositor, agora cantava suas próprias composições, com sua voz fanha e única. Eu e alguns costumamos chamá-lo de “Bob Dylan Brasileiro” .

Depois desse sucesso, ele continuou compondo e sendo gravado por diversos artistas – entre eles, Jair Rodrigues-, fundou sua própria gravadora, a Paraíso Discos, e ultimamente… Bem, você deve saber, anda meio sumido.

Semana que vem tem mais! Por favor, enviem as suas críticas, sugestões e tudo mais que quiserem enviar, ficarei muito feliz em receber e responder.

Brigaduuu!

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Victor Fão

Victor Fão

Trombonista e Artista Gráfico, Victor Fão é formado em Publicidade pela Universidade Mackenzie e atualmente estuda música. Acha que a arte, principalmente a música, tem que ter cor, cheiro, sabor, toque, trazendo sensações e referências mundanas. Acredita nas relações humanas, no potencial da troca de ideias em um bar, de passar o dia em estúdio produzindo e em tomar um solzinho no quintal. Urbano convicto, faz tudo a pé ou de busão.

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