Fechar Menu [x]

Conheça o Projeto que Ensina Luthieria para Crianças

COACHCULT | Leonardo Cássio | Música 29/10/15 - 07h Leonardo Cassio

luthieria-nascendo-para-a-musica

Poucas coisas são tão prazerosas quanto trabalhar com crianças. É trabalhoso, cansa, tem algumas que são difíceis. Pode falar o que quiser, mas é bom demais. Ao menos quando você as sensibiliza e é sensibilizado por elas.

Dia 23/10 (sexta-feira) teve início a primeira edição do projeto “Nascendo para a Música”, que visa à realização de oficinas gratuitas de luthieria para crianças e adolescentes entre 8 e 17 anos, priorizando alunos da rede pública de ensino. O objetivo do projeto é realizar uma atividade cultural inclusiva, que ajude a despertar nos participantes a conscientização sobre a importância do reuso de materiais.

A luthieria é uma atividade artística de construção e restauração de instrumentos de corda, como violão, violino e violoncelo, realizada de forma manual, artesanal. O termo expandiu-se e engloba atualmente a construção e reparo de qualquer tipo de instrumento, como os de sopro e percussão, além, claro, dos de corda.

A luthieria é uma atividade secular. Tem como grande expoente o italiano Antonio Stradivari (1644 – 1737), popularmente conhecido como Stradivarius. Era um exímio fabricante de instrumentos, com destaque para os violinos, até hoje um dos melhores do mundo. A luthieria é um ofício dominado por poucas pessoas e tem como principais características a criatividade, sensibilidade musical e o domínio de uma técnica apurada no manejo das matérias-primas. Por não ser uma profissão formal, é um modo de ofício e saber que precisa ser passado de geração em geração para haver continuidade.

O primeiro dos quatro dias de oficinas ocorreu na Escola Edmundo Luiz de Nóbrega Teixeira, no município de Rio Grande da Serra, onde foram atendidos 100 alunos durante o dia todo. O professor Rodrigo Olivério ensinou os alunos a construir instrumentos de sopro (destaque para a flauta de êmbolo) com canos de PVC e rolhas de cortiça, materiais considerados baratos e que são encontrados gratuitamente em cooperativas e centros de reciclagem.

Os 100 alunos foram divididos em 4 turmas de 25, sendo que cada uma usufruiu de 2 horas para a confecção de seus instrumentos. O projeto teve início às 8h da manhã, com encerramento às 17h30 e foi uma diversão! No início da aula, foram apresentados instrumentos de sopro antigos, vindo da Ásia, Europa e do nordeste do Brasil. Na sequência, foram apresentados os instrumentos de sopro a serem feitos na oficina, e foi neste momento que a criançada pôs a mão na massa! Barras de cano foram distribuídas em sala e os alunos precisaram serrá-las, lixá-las e moldá-las conforme instrução do luthier. Tudo feito com supervisão do instrutor, uma professora em sala e, neste dia, teve minha “ilustre” ajuda. Perdi a conta de quantas vezes gritaram “tiiio” para mim. Após a confecção dos instrumentos, os alunos realizaram os acabamentos necessários com EVA, canetas coloridas e cola quente e, então, testaram suas flautas.

O primeiro dia foi um sucesso e o mais gratificante de tudo são as crianças (carentes, em todos os sentidos) perguntarem se podemos ficar “para sempre” fazendo os instrumentos com elas. Como diria um slogan publicitário: “Não tem preço”.

Além da escola, o projeto acontecerá em outro ponto da cidade: na APRISCO – Associação de Presbiterianos para Inclusão Social Comunitária em Defesa da Vida.

A próxima oficina está agendada para o dia 6 de novembro, na sede da APRISCO, e a estimativa é atender 150 crianças e adolescentes do entorno, que se encontram em estado de vulnerabilidade social.

Ficha Técnica
Luthier: Rodrigo Olivério
Realização: Carbono 60 e ProACSP / Governo do Estado de São Paulo
Captação: Estúdio 70
Apoio: Prefeitura Municipal de Rio Grande da Serra / APRISCO
Patrocínio: Solvay Indupa

Tags: , , , , , , , , ,

COMPARTILHE ESTE POST

COMPARTILHE

COMPARTILHE

Leonardo Cassio

Leonardo Cassio

Sócio-diretor da Carbono 60 - Economia Criativa, Leonardo Cassio é publicitário, jornalista e amante da sétima arte. Lê de mangá a física quântica e tem uma tatuagem do Pearl Jam.

RELACIONADOS

Os comentários estão desativados.