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Segundo Álbum Do American Football É Lançado Após 17 Anos

Música 26/04/17 - 10h Cult Cultura

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A banda American Football se tornou uma espécie de lenda no cenário emo/ indie norte-americano. O trio formado pelo guitarrista, baixista e vocalista Mike Kinsella (ex-Cap n’ Jazz, Joan of Arc e atualmente o homem por trás da banda Owen), o trompetista e baterista Steve Lamos (ex-The One Up Downstairs e atualmente na banda The Geese) e o guitarrista Steve Holmes (também membro do The Geese) teve seu último lançamento, o cultuado álbum “American Football”, lançado em 1999 e, desde sua separação em 2001, seus membros transitam por outros projetos e produções musicais.

Em 2014, porém, o silêncio foi rompido quando Kinsella deu a notícia de que a banda havia se reunido para uma série de shows em clubes e festivais, dando esperanças à sua fiel base de fãs de que alguma nova gravação pudesse sair do reencontro dos três músicos (seu irmão, Nate Kinsella, também participou dos shows dessa turnê como músico de apoio). Uma série de shows com ingressos esgotados e com performances memoráveis nos EUA e na Europa teve início e os rumores do segundo álbum da banda estar se tornando realidade foram ganhando força conforme o sucesso da tour passava de uma data para a próxima.

Então que, 17 anos após o lançamento do seu primeiro álbum, o trio anuncia o lançamento da tão aguardada e antecipada continuação do primeiro disco, hoje já tido como um dos mais importantes lançamentos emo/ indie dos anos 90. Gravado em Chicago e Omaha, e produzido por Jason Cupp (responsável por alguns lançamentos importantes do gênero na última década), o segundo full lenght soa como uma banda tentando sair do caminho que se encontrava em 1999, mostrando que envelheceram bem longe um dos outros mas que ainda existe muita história para ser contada. Como sempre em suas letras, a banda traz temas já conhecidos pelos fãs, mas agora vistos do ponto de vista de adultos com seus 40 e alguns anos e não mais jovens de 20 e poucos. O amadurecimento da banda não fica apenas nas letras, mas também nas composições. Apesar de ter dividido opiniões, a diminuição dos metais mostra músicos mais confiantes em preencher todo o espaço musical usando cordas e bateria, funções que aprimoraram em seus projetos paralelos, especialmente Mike Kinsella, que se mostra como um compositor mais afiado em suas linhas de guitarra que flertam entre o emo e o pós rock.

O American Football nunca quis ser popular, porém, essa segunda tentativa se mostra mais acessível ao grande público, com arranjos mais “ecléticos” do que os apresentado no primeiro homônimo. Seu primeiro single, a bela “I’ve Been So Lost For So Long”, deu apenas uma amostra do que estaria por vir. Músicas que marcam mais pela simplicidade do que pela ousadia das quase jazzísticas canções das primeiras gravações da década retrasada, marcam o tom do que está por vir.

O álbum LP2 (como é chamado pelos fãs e pela própria banda) abre com “Where Are We Now?”, em que Kinsella canta sobre estar sozinho em uma casa que não está vazia, que podemos considerar um dos destaques do disco e com certeza a melhor canção possível para iniciar essa experiência. O disco, que conta com 9 faixas (mais duas gravações ao vivo na edição japonesa), segue com pontos altos como “My Instincts Are The Enemy”, que faz lembrar um pouco mais das intrincadas canções do lançamento de 99; “Home Is Where The Haunt Is”, canção bastante parecida com algo que Owen, banda atual de Kinsella, anda fazendo nos últimos anos; “Give Me The Gun”, segundo single liberado e uma canção mais solta que deve agradar novos e antigos fãs; “Desire Gets In The Way” e “Everyone Is Dressed Up”. Apesar de nem todas serem destaques durante a audição, o álbum consegue manter um certo nível de qualidade, agradando quem o escuta. Alguns fãs mais puristas provavelmente terão maior resistência em aceitar o novo caminho escolhido pela banda, porém, essa resistência não deve demorar até que o disco a contorne.

Com uma produção interessante que torna o som da banda ainda maior do que no primeiro álbum, esse deve se tornar um marco no chamado revival emo, onda de novas (e velhas) bandas emo/ pós-rock lançando novos álbuns e se reunindo em shows e, se os sinais foram captados da maneira correta, dificilmente será o último disco da banda. Resta saber se quase 2 décadas serão necessárias para que possamos ouvir mais um registro do trio de Illinois.

EuclidesClids Ursulino. 29 anos. Música, cinema, futebol e política. E o que mais aparecer entre um café e outro.

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