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Parabéns, Frevo!

Artes e Espetáculos | Leonardo Cássio | Música | Patrimônio 09/02/17 - 02h Leonardo Cassio

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Há exatos 110 anos surgia, no estado do Pernambuco, uma das principais expressões artísticas e culturais do Brasil, o frevo. Surgido como ritmo carnavalesco, mesclando danças como o maxixe, dobradas e samba, o frevo evoluiu e aglutinou outras expressões como o ballet e capoeira, resultando em mais de cem tipos de passos possíveis.

A dança é o grande destaque do frevo devido ao grau de dificuldade dos passos e à beleza estética dos mesmos. É dessa agitação da dança que vem o nome do frevo, que remete a palavra ferver, empregada por um veículo de comunicação em Pernambuco logo após o surgimento do ritmo. Os primeiros passos do frevo criados fazem referência às profissões dos praticantes: dobradiça, tesoura, locomotiva, ferrolho e parafuso. Desde então, dezenas de outros passos surgiram, passando de uma centena, com certos tipos de padrões de composição, além das improvisações, fartas de giros, rodopios, pulos e malabarismos, sempre com alto grau de complexidade.

Além da dança, o frevo se calca em mais duas modalidades artísticas: a música, instrumental, similar às marchinhas de carnaval executadas por bandas marciais, e o artesanato/ moda, responsável pela criação dos coloridos figurinos dos dançarinos, compostos por calças, camisetas, camisas, saias e uma sombrinha, tudo muito colorido. A indumentária do frevo é um saber e ofício, que por anos tinha uma rede de costureiras especializadas – hoje há muita produção industrial, mas há grupos de resistência – e que chamou a atenção do fotógrafo Pierre Verger, que documentou o frevo pernambucano na década de 40.

Existem três tipos de frevo:

1) Frevo de Rua, que é completamente instrumental, com foco na dança;
2) Frevo de Bloco, cuja origem vem das serenatas realizadas paralelamente ao carnaval, no início do século;
3) Frevo Canção, que é mais lento, composto por uma introdução e uma parte cantada, terminando ou começando com um refrão.

Em 2012, o frevo ganhou a chancela de Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Desde 2007, ano do centenário do ritmo, ele é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Livro de Registro das Formas de Expressão como “uma expressão musical, coreográfica e poética, enraizada no Recife e em Olinda, no estado de Pernambuco. Trata-se de um gênero musical urbano que surgiu no final do século 19, no carnaval, em um momento de transição e efervescência social como uma forma de expressão popular nessas cidades”.

Olinda e Recife são os epicentros do frevo no Brasil, com destaque para a capital pernambucana, que tem o maior bloco de carnaval do mundo, o Galo da Madrugada, com uma intensa relação com o frevo.

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