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Playing For Change e Bonerama

Música 21/08/12 - 12h Cult Cultura

Chegando a sua décima edição, o Bourbon Street Fest já se firmou como um evento tradicional do calendário de festivais brasileiros. Para confirmar esse sucesso, o público lotou as dependências do Bourbon Street Club na última quarta-feira (15), quarto dia de shows do festival. Com um pouco de atraso, por volta das 22h, o Bonerama subiu a palco para dar início aos trabalhos da noite. Trazendo a sua ótima mistura de jazz, brass, blues e rock, o grupo enfrentou um verdadeiro desafio, já que a enorme maioria do público estava à espera do grande nome da noite, o Playing for Change. Sem se preocupar com esse “detalhe” e com muita competência, em pouco tempo a banda conseguiu conquistar a plateia, chamando a atenção pela sua inusitada formação com baixo, guitarra, bateria e três trombones, deixando de lado outros instrumentos como o trompete e o saxofone. E o trio de trombonistas é mesmo o destaque do grupo. Com espaço para momentos solo de cada um e também para um grande solo de bateria, o Bonerama apresentou algumas canções totalmente instrumentais e outras com vocais, como: Hero, Indian Red, I’m Lost, Soul on Fire e Riverside. Depois de pouco mais de uma hora de show, o grupo (que já havia feito uma apresentação no dia 11/08 e ainda voltou aos palcos do festival nos dias 17 e 19/08) foi muito aplaudido, deixando o público pronto para receber a atração principal.

Era quase meia-noite quando Grandpa Elliott e os outros integrantes do Playing for Change subiram ao palco, e com apenas um “Hi” do cantor e gaitista cego de New Orleans, a plateia já tinha sido conquistada. Um dos poucos nomes do festival que ainda não havia se apresentado em edições anteriores, o Playing for Change é um verdadeiro fenômeno multimídia. A banda surgiu a partir de um documentário filmado em 2004, sobre músicos de rua de diversas partes do mundo. A ideia do projeto veio da crença de que a música tem o poder de atravessar fronteiras e superar a distância entre as pessoas. Sejam as diferenças geográficas, políticas, econômicas, espirituais ou ideológicas. Com o sucesso dos vídeos dos músicos na internet, em 2007, o produtor do documentário resolveu criar uma banda com alguns desses músicos para viajar pelo mundo.

Com integrantes dos Estados Unidos, República do Congo, África do Sul, Porto Rico, Espanha e outros países, o Playing for Change pode ser considerado uma verdadeira ONU musical. Mesclando o soul, o blues e o gospel, além de muito carisma e simpatia, a banda fez com que quase todos nas mesas do Bourbon Street se levantassem para dançar. As incursões pelos ritmos africanos e latinos, em músicas como Felengue e Margharita, foram alguns dos pontos altos do show, devido à animação da vocalista sul-africana Titi Tsira e de seus companheiros de vocais congoleses. Canções mais pop, como Three Little Birds, de Bob Marley, também fizeram parte do repertório. Para finalizar em clima de catarse coletiva, o grupo tocou a sua versão de Stand by Me, a música que os tornou famosos no youtube com milhões de acessos. Ainda teve tempo para Grandpa Elliott voltar sozinho ao palco para agradecer ao público e dar mais uma palhinha a capella. Foi o final que todos esperavam para uma apresentação impecável. Talvez o objetivo de mudar o mundo através da música seja um pouco ousado demais, mas com certeza o grupo provou que é capaz de mudar os ares de uma simples quarta-feira à noite em São Paulo.

Por Leonardo Ribeiro

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