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Primeiro Ano Da Morte De Prince É Marcado Por Disputa Judicial

Leonardo Cássio | Música 25/04/17 - 04h Leonardo Cassio

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Prince Rogers Nelson, o Prince, teve uma carreira altamente profícua. Morto em 21 de abril de 2016, devido a uma overdose acidental de remédios, Prince vendeu mais de 100 milhões de álbuns, venceu sete prêmios Grammy, um Globo de Ouro de Melhor Canção e um Oscar de Melhor Canção Original em 1985 por Purple Rain, que integrou o filme homônimo à faixa.

Nos praticamente 40 anos de carreira, o músico gravou aproximadamente 35 álbuns – o primeiro, “For You”, em 1978 – e teve como marca principal o fato de ser muito meticuloso e centralizador com relação à produção das músicas. Versátil, ele compunha, arranjava, produzia e, em muitos discos, tocava muitos ou todos, t-o-d-os os instrumentos, além de ter um ótimo talento para mesclar soul, R&B, pop, rock, elementos de blues, jazz e por aí vai. Sem contar que, nos shows, fazia várias dancinhas bem legais. O cara era fera e a perda dele foi bem lamentável, ainda mais pela forma que tudo ocorreu.

Dias antes da data exata de um ano da morte do artista, houve o anúncio da disponibilização de um EP com músicas inéditas, “Deliverance”, com seis faixas, escritas e produzidas em parceria com o músico Ian Boxill. O trabalho estava sendo feito de forma independente, pois Prince tinha problemas públicos com gravadoras, e Boxill, em comunicado à imprensa, afirmou que o lançamento seria, portanto, feito de forma independente, atendendo ao desejo de Prince. No entanto, não deu muito certo.

Assim que saiu a informação de que as músicas inéditas gravadas pela dupla entre 2006 e 2008 seriam lançadas no dia 21 de abril, um ano da morte do artista, os detentores dos direitos autorais de Prince pediram judicialmente o bloqueio do lançamento com a alegação de que Boxhill violava, com esta ação comercial, um contrato de confidencialidade entre ele e Prince. A juíza norte-americana Wilhelmina Wright acatou o pedido dos herdeiros, impediu o lançamento do EP e solicitou à Boxhill as gravações originais das faixas, bem como arquivos digitais e outros elementos derivados dos materiais gravados, para análise. Antes do bloqueio, porém, a faixa que nomeia o EP foi liberada e, no iTunes, alcançou a primeira posição no ranking de rock. Com o lançamento físico do EP estimado para 2 de junho de 2017, os fãs aguardam a deliberação da corte sobre o caso.

A questão sobre direitos é sempre muito complexa, principalmente quando o artista está morto e há advogados cuidando dos negócios junto aos herdeiros. Vale pontuar que, um pouco antes do caso do EP, os responsáveis pelos direitos de Prince processaram o Tidal, serviço de streaming de música do rapper Jay-Z, alegando que a empresa tinha o direito sobre a comercialização de um álbum do músico por apenas 90 dias, e que, caso quisesse prosseguir com as vendas, deveriam negociar novamente.

Independente do mérito sobre os casos acima, o importante é que se chegue a um acordo, especialmente com relação ao disco “Deliverance” e outros muitos materiais inéditos que devem existir, pois Prince gravava e produzia de forma compulsiva. Esperemos que a data de lançamento do EP não seja adiada, pois quem mais perde com este tipo de imbróglio é sempre o fã, que é quem mais Prince respeitava.

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