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SWU!

Música 14/10/10 - 10h Cult Cultura

Problemas com estacionamento, problemas com lixo, problemas com alguns vendedores desonestos. Sim, o SWU — Starts With U — teve alguns problemas que normalmente festivais do porte têm, ainda mais na primeira edição. Problemas a parte, o Festival foi um frisson. Foram três dias de música de qualidade, com bandas explosivas, em um espaço inusitado — Pesqueiro Maeda, em Itu —, friorento e insano.

Além dos dois palcos principais, onde aconteceram os grandes shows, havia duas tendas de música eletrônica, pequenos espaços de pockets shows, instalações feitas com materiais recicláveis e espaços para descanso. As atrações se apresentaram em três dias consecutivos — 9, 10 e 11 — e atraíram públicos distintos.

No primeiro dia as atrações brasileiras Mutantes e Los Hermanos se alternaram nos palcos Água e Ar. Os Mutantes, como de costume, fizeram um show competente e belo, tocando os sucessos eternos da banda. Já o Los Hermanos, que estavam um tempão parados, fizeram um show na média, com as canções para lá de conhecidas dos fãs, porém com menos força do que em apresentações anteriores da banda. Mas a catarse do primeiro dia foi mesmo quando The Mars Volta começou a mostrar toda sua psicodelia e aqueceu o público para um dos shows mais esperados do SWU: Rage Against the Machine.

O RATM teve problemas com o som, teve problemas com a Pista Premium, mas não sentiu problema nenhum. Zack de La Rocha e sua trupe mostraram porque são umas das maiores bandas do planeta e detonaram, literalmente, o evento.

O segundo dia foi mais calmo. Teatro Mágico foi um dos destaques nacionais, realizando um show curto, focado nas alegorias circenses. Capital Inicial e Jota Quest também marcaram presença no evento.

O novo Sublime (muito inferior ao antigo) fez um show dançante, com os principais sucessos do grupo. Havia um público específico interessado na banda, que veio pela primeira vez ao Brasil, dando mais fôlego ao ska de Brad Nowell e companhia. Na sequência Regina Spektor, mesmo com problemas no som, fez um show elegante, para o público que visivelmente não a conhecia, mas que a respeitou e a reverenciou, mesmo que timidamente.

Aí veio um furacão chamado Joss Stone. Com uma voz potente e beleza única, a cantora nascida no Reino Unido desfilou pelo palco e mostrou porque é considerada uma das divas do pop soul atual. Com um show carismático, hipnotizou seus admiradores e carimbou sua passagem com umas das melhores do festival.

Dave Matthews Band foi o sucessor de Joss Stone. Era uma das principais atrações do dia e do festival. As músicas pop do grupo, que mesclam folk, blues e rock’n’roll são bem morninhas, porém o show ao vivo é fantástico. Os músicos foram uma das melhores atrações do SWU, com destaque para o violinista da banda.

O encerramento do dia ficou por conta do Kings of Leon. Com um palco estiloso, o quarteto mostrou o melhor do seu repertório para um público ansioso para conferí-lo pela primeira ou segunda vez ao vivo no Brasil. E, da mesma forma que foi no Tim Festival, o KoL foi “sem graça” demais. Musicalmente, tudo bem, tocaram o que tinham que tocar. Mas como presença de palco ficaram devendo pela segunda vez. Bem, talvez o show deles seja assim mesmo.

O terceiro dia foi bem agitado. Uma das principais atrações foi o Cavalera Conspiracy, que marcou a volta dos irmãos Cavalera em um palco brasileiro juntos. Porrada pura. Outra grande atração da noite foi o Pixies, que levou um público mais velho ao evento. Show mais ou menos, mas que empolgou os fãs mais fiéis da banda.

O Linkin Park arrastou um público próprio, que acompanhou um show mais soturno e sombrio do que o normal. Foi um dos destaques do festival e botou a galera para pular no Maeda. E eis que um tal de Queens of the Stone Age fez uma dos mais empolgantes shows desse bendito SWU. Presença de palco impecável, som perfect e repertório avassalador. Não dava para reclamar da banda de Josh Homme.

E, entre erros e acertos, o SWU foi um dos maiores festivais já feitos no Brasil. Tomara que haja outras edições e que as falhas de organização sejam corrigidas. E que, principalmente, a mensagem sustentável do evento (que foi mais ou menos sustentável) seja levada mais levads em conta nas próximas edições e no dia a dia das pessoas.

Por Leonardo Cássio

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