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Escolha Um Dupla E Mergulhe Nesta Aventura!

Publieditorial 25/10/16 - 03h Cult Cultura

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Por Leticia Gouveia

Não gosto de nada que é raso, de água pela canela. Ou eu mergulho até encontrar o reino submerso de Atlântida, ou fico à margem, espiando de fora.” Martha Medeiros propõe uma escolha, mergulhar ou ficar olhando. Escolhas mudam destinos, assim como mergulhar muda nosso olhar sobre aquilo que nos propomos a conhecer, seja um local ou uma pessoa.

266-aqualander-leticia-gouveia-1Se você tiver oportunidade de planejar alguma viagem com curso de mergulho, vale muito a pena. Mesmo que você não consiga mergulhar com frequência, esta é uma experiência incrível, ainda que seja realizada uma única vez na vida. Resolvi tentar essa aventura de ver o mundo embaixo d’água! E é isso que quero dividir com vocês.

Vou confessar que deu um frio na barriga, até porque eu não nado como uma sereia. Depois, descobri que a PADI – Professional Association of Diving Instructors – forma mais de 17 mil novos mergulhadores a cada ano no Brasil. Sabendo de tanta gente que consegue, me animei! Escolhemos fazer o Open Water Diver, curso de mergulhador autônomo na Aqualander.

266-aqualander-leticia-gouveiaDigo escolhemos, porque fiz o curso em dupla. Todo mergulhador tem o seu dupla como questão primordial de segurança, ninguém mergulha sozinho nunca. Então fiz o curso com o Victor, meu namorado que sempre me dá força nessas maluquices. O curso dura um final de semana de teoria e prática na piscina e outro em que é realizada uma viagem para o check-out no mar. Com o nível Básico, é permitido submergir a até 18 metros e com o Avançado chegar a até 30 metros de profundidade além de poder mergulhar à noite.

Dia 1
O primeiro dia vai ensinar os sinais de comunicação que você deve usar com outros mergulhadores debaixo d’água. São sinais para indicar direção, dizer que está bem, mostrar animais e sinalizar que precisa subir. Mergulho é um esporte seguro, basta aprender e respeitar as recomendações e os procedimentos de segurança, planejamento do passeio, checagem de equipamento, tempo e profundidade máxima permitidos.

266-aqualander-leticia-gouveiaPara simular seu primeiro mergulho no mar, é feito um treinamento em uma piscina de água salgada com profundidade que pode chegar a sete metros. Durante o treinamento é preciso fazer exercícios simulando imprevistos, como: o que fazer se acabar o ar, entrar água na máscara, o regulador falhar, o cinto de lastro soltar ou se você precisar tirar o colete. Esses exercícios são repetidos no primeiro mergulho no mar.

Não é recomendável demorar muito tempo entre as aulas e o check-out, afinal, ninguém quer esquecer o que aprendeu. Cair no mar pela primeira vez com tudo fresco na cabeça é sentir-se totalmente equipado e vai ajudar e se sentir mais confiante e seguro para repetir os exercícios executados na piscina. Outra regra importante é que não é permitido mergulhar sem estar 100% bem fisicamente.

Dia 2
266-aqualander-leticia-gouveia-2Na semana seguinte, pegamos as nadadeiras e conhecemos a turma da viagem. Fizemos algumas dinâmicas para saber o nome de todos. Éramos seis novatos para o check-out de básico, mais os instrutores e turmas mais avançadas, o que incluía uma turma de Rescue Divers – treinamento de resgaste no mar, costa e embarcações. No dia seguinte iríamos mergulhar em Ilha Grande e estávamos seguros!

Na manhã seguinte estava sol e os três casais que fariam seu primeiro mergulho foram para o barco com os demais participantes. Entre uma dica e outra que pegamos com os outros mergulhadores, percebi que mesmo quem fez tudo certo na piscina, ficou no mínimo ansioso para realizar o primeiro “Passo do Gigante”, que nada mais é do que a técnica para cair na água com segurança.

Após vestir a roupa apertada, montar e checar o equipamento, meu e do meu dupla, finalmente caí na água. Ela estava tão gelada que quase me esqueci de sinalizar que estava tudo “ok” para o barco. Mergulhadora de primeira viagem, fiquei pensando sobre este nome que remete aos astronautas. Seria “Passo do Gigante” por ser algo simples que te transporta para outro planeta ou só para dar um frio na barriga mesmo?

266-aqualander-leticia-gouveia-6Chega a hora de desinflar o colete e afundar. Uma dica importante para o processo da descida é não bater as pernas e ter lastro, cinto com pesos, suficiente para compensar o quanto a roupa de neoprene flutua. Com a ajuda de uma corda que estava sob a água, fomos guiados até o ponto em que todos se reuniriam para iniciar os exercícios.

Enquanto eu descia, repassava mentalmente os procedimentos como equalizar a pressão dos ouvidos com a profundidade progressiva. Quando olhei para cima pela primeira vez, percebi quão fundo estava. Acho que eram apenas sete ou oito metros, mas olhando lá debaixo tudo fica mais impressionante. Mesmo naquela profundidade era possível ver a luz do sol entrando através da água. Fiquei encantada. Foi um momento único, divino, um momento de paz e profundo respeito.

Quando meus pés bateram na areia do fundo do mar, a nove metros de profundidade, uma nuvem de “poeira” se levantou, deixando turva aquela água cristalina. O sedimento que levantamos ao tocar o solo foi decantando e, de joelhos, aguardamos um círculo com todos os alunos ser formado para iniciar os exercícios. Enquanto isso acontecia, um dos instrutores passava de mão em mão uma estrela do mar e um ouriço. Fiquei encantada, me ajudou a relaxar antes dos exercícios.

14192118_1251266231585307_876231541607543322_nForam dois mergulhos até que eu e meu namorado finalizássemos os procedimentos. Foi mais ou menos o mesmo que aconteceu com os outros casais. Ao final do primeiro dia, voltamos à pousada, onde trocamos impressões. Percebemos que todos nós conseguimos ver poucas coisas nestes primeiros mergulhos, pois a água ficava turva quando tocávamos o solo. Os instrutores e dive masters nos deram dicas de flutuação para nadar preservando a visibilidade e os corais.

No dia seguinte, saímos para outros dois mergulhos. Nos intervalos dos dois dias tomamos sol e aproveitamos de ótimos lanches no barco – afinal, em 45 minutos, tempo aproximado de cada mergulho, podem ser queimadas mais de 900 calorias! Já habituados, aproveitamos a visibilidade para observar muitas espécies diferentes entre peixes, corais, ouriços e estrelas do mar.

266-aqualander-leticia-gouveia-1Meu ponto favorito da viagem foi nadar ao redor do naufrágio Pinguino (foto), um dos mais visitados do Brasil. Foi deslumbrante ver a vida que tomou conta do casco deste cargueiro que afundou devido a um incêndio em sua carga de cera de carnaúba. Neste local, conseguimos chegar a 15 metros de profundidade por quase uma hora de duração, pela primeira vez sentimos a diferença no consumo do ar ao respirar profunda e lentamente.

Os sábios dizem que respirar é um segredo para vida. Para o mergulho, também vale esse conselho. O passeio acaba quando um dos mergulhadores chega à reserva do ar. Sinalizei que precisávamos subir. Emergimos e a aventura acabou. Quer dizer, provavelmente ela está apenas começando. Com a experiência do curso, com certeza é possível aproveitar, com outros olhos, vários destinos no Brasil e no mundo.

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Tcha-au!

Letícia Gouveia é jornalista e produtora de conteúdo na Exxperienciar.

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