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A Presença Do Fim | Crônica

Comportamento | Thais Polimeni 07/06/17 - 10h Thais Polimeni

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A possibilidade do fim causa medo. Fomos educados para acreditar que tudo o que é certo e verdadeiro dura pra sempre. “Dar certo”, na nossa sociedade, é evitar o fim: o fim do namoro, do casamento, da amizade, do emprego, de alguma relação familiar. E pra seguir essa crença, muitos fins são adiados com um buquê de flores, um telefonema, um jantar, um emoji, uma noite de sexo, um cafezinho rápido entre o almoço e uma reunião. Adiar o fim é permitir o seu atraso e se assustar com a sua inesperada chegada.

Quando o fim resolve aparecer, ele vem abrupto, como um golpe de ar no estômago que tira ao fôlego e tira as dúvidas de que ele, enfim, chegaria. O fim não se faz de difícil, não marca de se ver qualquer dia desses. Ele é objetivo. Atrasado ou adiado, chega no momento certo, quanto mais incerta estiver a relação. Às vezes, com ele, vem a magia do recomeço, mas recomeçar não significa eliminar o fim.

Apesar de assustar, o fim não surpreende. Muitas vezes, ele alivia. Nunca vai passar despercebido. Entristece pela impossibilidade da continuidade no futuro e pela dúvida da genuinidade do passado. “Você pode encarar o problema como fim ou como uma oportunidade”, escreveu, certa vez, Fabrício Carpinejar, em uma das crônicas publicadas no livro “Amizade é Também Amor”; “Você pode encarar o fim como problema ou como uma oportunidade”, escrevo eu agora, inspirada pelas palavras deste cronista gaúcho.

A dor do fim é proporcional à intensidade dos momentos. Se ela se manifesta com aquele aperto no peito, com as incontáveis dúvidas que fatigam a mente, com a descoberta de que “viver sem” é bem diferente de “viver com a ausência”, é porque o que passou foi a mais sincera das histórias. Um final sem dor não é o fim, é a transmutação da intensidade da relação na justificativa do distanciamento, da falta de tempo, da mudança de rumo. Um fim com justificativa não é o fim, pois nada que é genuíno precisa de justificativas, apenas existe. E se tem algo que é verdadeiro, é o fim, tão verdadeiro quanto as demais fases da relação. Inevitável na possibilidade e insubstituível na presença.

Photo credit: Seiya234 via Visualhunt.com / CC BY-NC-ND

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Thais Polimeni

Thais Polimeni

Thais Polimeni é editora e uma das fundadoras do blog Cult Cultura e, ao lado de Leonardo Cassio e Daniel Ávila, é sócia-diretora da Carbono 60 - Economia Criativa. Publicitária, jornalista, paulistana, tiete e geminiana, Thais é viciada em teatro, cappuccino e wi-fi. Dizem que é descendente direta de Buda, mas na TPM, nem ela se aguenta. É colunista do Jornalirismo e tem seu alter-ego publicado aqui: facebook.com/thaisPOULAINmeni

  • Carlos Marcel Ananias

    Muito bom texto…gostei tanto que utilizarei este modelo com o título de : a “leveza” do fim.

    Bjs

  • Thais Polimeni

    Oi, Marcel!! Fico feliz que tenha gostado. A leveza do fim :) Adorei!

    Beijos!