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Lembranças Da Escola | Crônica

Comportamento | Thais Polimeni 18/07/18 - 10h Thais Polimeni

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Grande Polimeni! Tudo bem? Amanhã vamos comer uma pizza, às 19h. O povo do Casão! Topas?

Casão era o apelido carinhoso para “Externato Casa Pia São Vicente de Paulo”, escola em que estudei durante os 10 primeiros anos da minha vida acadêmica (desde o Jardim até a oitava série – na época -, nono ano – hoje). Tudo isso caminhando pra segunda década desde que saí de lá. Como era uma escola de bairro, muita gente preservou as amizades, especialmente porque a maioria morava perto. E graças ao finado Orkut e às redes do ativíssimo Mark Zuckerberg, só não mantém contato hoje em dia quem não quer – e olha que tem muita gente que não quer -, mas não é esse o assunto dessa crônica.

Eu infelizmente não consegui ir ao encontro, mas gentilmente me adicionaram ao animado grupo do WhatsApp: e foi aí que começou a sessão nostalgia. Se me perguntassem: “O que mais te marcou na escola? Como você acha que as pessoas se lembram de você?“, eu certamente falaria de duas coisas: do grupo inseparável de 5 meninas com quem eu andava (que eu só não perdi contato com uma delas), e do menino por quem eu era apaixonadinha (meus pais dizem que quando a gente tinha uns 4 anos, ele dizia que eu era namorada dele e eu nem tchuns – mulher independente desde sempre, né, mores? – Só que não: Sete anos depois, eu que queria ser namoradinha dele e foi a minha vez de ser ignorada com sucesso).

Porém, nada disso foi mencionado quando fui adicionada ao grupo. Pra minha surpresa, as mensagens que recebi foram muito mais surpreendentes – e melhores, diga-se de passagem – do que eu poderia imaginar. A primeira lembrança que compartilharam foi: “@Thais, sabe do que eu lembro? Do seu micro cachorrinho kkkkkkk“. Bem que dizem que depois que você tem um filho, você não é mais a pessoa, você é a mãe da pessoa. Com cachorro, pelo jeito é igual. Ganhei meu primeiro (e único) cachorro quando tinha 11 anos. Mãe de pet na adolescência. Um Pinscher chamado Toy que meu pai aproveitava pra passear quando me levava pra escola. Aí vocês imaginam que a minha chegada era anunciada a, no mínimo, um quarteirão de distância pelos potentes e imponentes latidos do Toy, que ficou pra Story (com o perdão do trocadilho, mas não me contive). Depois da lembrança do Toy, veio a lembrança clássica de quem já usou aparelho: “Eu lembro da Thais usar um aparelho daqueles “freio de burro”” – sem bullying, gente, um comentário comum de quem viveu na época desse aparelho tão discreto quanto os latidos do Toyzico.

Agora, um parágrafo especial para a última lembrança: “Thais… Passou várias colas“, que veio emendada com “CDF do fundão“. Posso me orgulhar desse “CDF do fundão”? Não teria descrição melhor pra uma geminiana com ascendente em capricórnio (que obviamente, naquela idade, eu mal sabia o meu signo). E as colas? Ok, no nosso momento politicamente correto, passar cola pode ser considerado fora da lei, uma micro-corrupção, mas o clima anos 90 tomou conta de mim e senti um orgulhinho dessa minha atitude generosa e altruísta.

Não sei se é meu mapa astral, se é a sorte que eu tive de ter tido pessoas tão gente-como-a-gente no meu caminho, mas eu adoro esses reencontros, mesmo que virtuais. Além de divertidos, são um avanço nesses processos de autoconhecimento que tantos buscam. Quem tiver oportunidade de rever amigos de séculos atrás, ou mesmo participar de reuniões familiares esporadicamente (a cada dois anos é um prazo bom pra quem não curte o movimento), aproveite. Já vai se preparando e  começa escrevendo como você acha que os outros te viam, quais momentos te marcaram. As lembranças são sempre um presente que o passado nos dá. Mesmo se não forem tão boas, elas vêm amenizadas pela passagem do tempo. Dizem que viver é um risco. Dizem que recordar é viver. Eu digo que vale à pena arriscar nas lembranças!

Photo credit: Hugedé Loïc on Visualhunt.com / CC BY

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Thais Polimeni

Thais Polimeni

Thais Polimeni é editora e uma das fundadoras do blog Cult Cultura e, ao lado de Leonardo Cassio e Daniel Ávila, é sócia-diretora da Carbono 60 - Economia Criativa. Publicitária, jornalista, paulistana, tiete e geminiana, Thais é viciada em teatro, cappuccino e wi-fi. Dizem que é descendente direta de Buda, mas na TPM, nem ela se aguenta. É colunista do Jornalirismo e tem seu alter-ego publicado aqui: facebook.com/thaisPOULAINmeni