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As Pessoas Dão Voz à Cultura | O Que É Ser Cult?

O Que é Ser Cult? | Thais Polimeni 03/03/16 - 03h Thais Polimeni

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Contei no post anterior como começou esse caso de amor com o Teatro. Na época em que fazia o curso, comecei a frequentar espetáculos por indicação dos professores e alunos mais engajados. Muitas apresentações às quais assistíamos eram de textos e montagens alternativas e, no começo, eu achava tudo aquilo muito esquisito (e por isso eu tomo muito cuidado ao escolher uma peça pra levar alguém que não está acostumado a frequentar o teatro. É uma responsabilidade muito grande, pois ela pode criar uma imagem de “o que é o teatro” que não é real).

Fiz o curso livre de por mais dois anos, depois tive que escolher entre faculdade + estágio em tempo integral + curso de italiano ou faculdade + curso de teatro, pois eu percebi que eu estava entrando em um estágio que o estudo teatral demandaria uma dedicação muito maior do que um simples hobby. Saí do teatro, mas o teatro não saiu de mim, e continuei em contato com os amigos que fiz por lá. Um deles foi o William Costa Lima, que, no final de 2005, estava produzindo o espetáculo “As Olívias Palitam“. Como eu trabalhava na área de marketing da Pneuac/ Pirelli, sugeri sortearmos alguns ingressos e ele topou. Fui assistir ao espetáculo antes de levar os ganhadores do sorteio. Depois, fui ver o espetáculo com a galera da firrrma. Nesse dia, haveria mais uma sessão e acabei ficando pra ver de novo. E de novo. E de novo. Amei tanto “As Olívias” que, depois de um tempo, já conhecia toda a equipe: produtores, atrizes, diretor, bilheteiros, redatora, amigos e família (tá parecendo assinatura de cartão de final de ano). Todo esse grupão me fez acreditar, sem pretensão, nas infinitas possibilidades do teatro. Teatro é um espaço onde você também pode expor sua opinião e fazer as pessoas refletirem. Teatro é onde você pode ir pra se divertir, pra pensar e pra ter novas sensações. O teatro é democrático. Entre todas essas pessoas, conheci a Andréa Martins, que é dramaturga dAs Olívias Palitam, além de redatora e roteirista. Pela Déa, percebi que também podemos transformar através do texto, da escrita e da leitura (em primeira mão: ela escreveu o prefácio do meu livro de crônicas, que eu vou lançar assim que parar pra ver as propostas das editoras. Espero que ainda esse ano!).

E, entre as pessoas que As Olívias me apresentaram indiretamente estava a Ana Gilli, que era da mesma turma do curso de teatro da EAD/USP de uma das atrizes do grupo. Eu sempre ia assistir aos espetáculos com a Mayra, que conheci no curso de teatro e ela é aquele tipo de pessoa que sabe o nome de todo mundo e, assim, fui conhecendo o pessoal. Recebi um vídeo em que a Ana Gilli cantava uma música do Chico Buarque e adorei! Não consegui ir ao show naquele ano, mas depois de uns 2 anos, fui assistir e achei o trabalho dela sensacional. Nessa época, eu já estava trabalhando em outra empresa, na área de comunicação da Associação Brasileira de Engenharia Industrial – ABEMI, e enviei um e-mail pra Ana dizendo que eu tinha adorado o show e brinquei (sério, era brincadeira!) dizendo que eu queria ser produtora deles. Ela respondeu dizendo que eles estavam precisando de produtora, mesmo. E agora, José? O blog da Cult estava completando 1 ano e o Leo e eu já tínhamos cogitado abrir uma empresa de marketing cultural focado em mídias sociais. Fizemos uma proposta para a Ana e começamos a tocar a empresa nas horas livres do nosso trabalho CLT. É claro que não aguentamos essa vida de dupla personalidade por muito tempo e, poucos meses depois, saí da ABEMI para me dedicar à então startup cultural Cult Cultura (que hoje foi desmembrada na plataforma de conteúdo cultural Cult Cultura e na empresa de projetos de economia criativa Carbono 60).

Já faz 5 anos que eu estou totalmente dedicada a projetos culturais. Tive contato com profissionais de música, dança, teatro, cinema, artes visuais, literatura, patrimônio, moda… Cada dia é um aprendizado. Ter a oportunidade de trabalhar com cultura me faz ter a certeza empírica de que a arte transforma. Ter escolhido estudar sobre Cultura na pós-graduação me mostrou que devemos analisar minuciosamente as manifestações culturais antes de julgarmos se é ou não cultura apenas pelo nosso gosto pessoal. Cultura é feita de pessoas, da relação entre as pessoas, da relação empática entre as pessoas. Ser cult é se relacionar com a arte que te transforma.

Escrevi este post ouvindo The best of Vevo

Photo via Visualhunt

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