Fechar Menu [x]

Rua Augusta

Comportamento | Slider | Thais Polimeni 13/03/19 - 10h Thais Polimeni

6-cronica-thais

Todo paulistano que se preze tem uma história com a Rua Augusta. Um caso de amor, de aventura, de adolescência, de trabalho – nos mais diversos trabalhos que toda a diversidade dessa rua permite. Diversidade é palavra de ordem pra quem cogita ao menos andar por alguns quarteirões, seja do lado do Jardins, seja do lado do centro, o famoso Baixo Augusta.

Minha chegada foi de mansinho, diferente da outra geração que entrou na rua Augusta a 120 por hora. Minha primeira história com ela foi por volta dos 16 anos, quando tive que fazer um trabalho para o curso técnico de Turismo. Uma das minhas amigas sugeriu descermos essa famosa rua a fim de escolher os locais do roteiro para onde levaríamos um fictício grupo de arquitetos. Tiradentes> Paraíso> Consolação: esse foi o trajeto de metrô da escola para a Augusta. Descemos sentido centro, visitamos hotéis, restaurantes e paramos em um duvidoso “Augusta Café”. O local mais parecia um escritório de design gráfico e descobrimos que nossa amiga conhecia um dos funcionários de lá. Então entendemos o que a motivou a sugerir o trajeto: um caso de amor, uma paixonite aguda que ao menos serviu para garantir o imprescindível capítulo “Rua Augusta” na história de todas as 5 do grupo. O roteiro final que entregamos na aula obviamente não incluía o Augusta Café, mas finalizava em um fofo “Piolin”, uma cantina italiana que, quase 10 anos depois, eu seria frequentadora assídua com os 50% de desconto que eles dão, religiosamente, para os artistas.

Damos agora um FFW e avançamos para o dobro da idade que eu tinha na história do Augusta Café. Hoje posso me considerar uma ex-moradora dessa rua pela qual meu amor só aumentou. Durante 2 anos, morei nessa rua que é sinônimo de diversidade, em um apartamento que só me deixou boas lembranças durante esse tempo que cresci, amadureci e me conheci ainda mais, de uma forma leve e linda. Ju, Dé e Maria, pessoas incríveis com quem compartilhei risadas, latidos, posicionamentos políticos, pelos brancos em roupas pretas, aula de spinning, pelos pretos em roupas brancas, bloco de carnaval, shows, momentos hilários com a nova máquina de lavar, conversas sobre novela, livros, Faustão, chaves, panelas e até por uma reforma passamos juntos. Escorreram lágrimas antes da despedida oficial deles, dos 3 doguinhos, alguns peixes e um passarinho que faziam parte da Happy House.

Não me mudei pra muito longe (a uns 3 quarteirões de distância) nem pra um andar diferente (do apê 42 para o apê 41) e nem para o desconhecido – uma das minhas futuras flatmates já foi citada aqui: ela era uma das amigas que compartilharam comigo a saga do Augusta Café que nossa amiga em comum nos meteu. Muitos anos depois, compartilhamos programas menos duvidosos e mais certeiros da vida adulta. Uma vida adulta que dá continuidade às longas conversas, reflexões e encontros da adolescência. Uma vida adulta do ladinho da rua Augusta, onde a alegria e a amizade aumentam a cada dia, a cada aurora.

Crônica dedicada aos queridos André, Juliana, Maria, Priscila, Fernando e à pequena Aurora

Photo on VisualHunt.com

Tags:

COMPARTILHE ESTE POST

COMPARTILHE

COMPARTILHE

Thais Polimeni

Thais Polimeni

Thais Polimeni é editora e uma das fundadoras do blog Cult Cultura e, ao lado de Leonardo Cassio e Daniel Ávila, é sócia-diretora da Carbono 60 - Economia Criativa. Publicitária, jornalista, paulistana, tiete e geminiana, Thais é viciada em teatro, cappuccino e wi-fi. Dizem que é descendente direta de Buda, mas na TPM, nem ela se aguenta. É colunista do Jornalirismo e tem seu alter-ego publicado aqui: facebook.com/thaisPOULAINmeni

RELACIONADOS